sábado, 23 de setembro de 2006

O Outono na alma

" Outono" (foto de Milú Coelho Gomes)


Hoje, sábado, começa o Outono…



O Outono na alma

Chegou o Outono. Há muito que nas folhas mortas dos carvalhos se fazia anunciar.
Chegou agora, acabado o Estio, a toda a paisagem.
A natureza mostra-se amarelecida e doente, produzindo um cenário clorótico, neutralizado e triste que nos deprime e nos amarelece também um pouco por dentro.


É inevitável esta sensação. Foi sempre assim!
Cumpre-se um ciclo biológico e não há nada a fazer. Faz parte da nossa natureza. É normal.


O que não é normal, e contraria a própria natureza, é este quase crónico estado de alma outoniça em que há muito mergulhamos: um estado de alma anémico, sem força, sem vontade e sem revolta que não tem nada a ver com a cíclica sensação outonal.

Não! Este estado de alma é um fenómeno civilizacional. Chamemos-lhe civilizacional ou chamemos-lhe neoliberalismo, capitalismo… pouco importa o que se lhe queira chamar. O processo tem sido contínuo! Uma bem ministrada cultura de resignação amareleceu-nos a mente e faz com que nos comprazemos, silenciados, neste inanismo mental.

Aceitamos tudo desde que não nos exijam nada.

Cortam a reforma... — não dizemos nada!
Fecham as empresas... — calamo-nos!
Reduzem os cuidados de saúde... — não dizemos nada!

Pobres de nós! Sem coragem nem lucidez crítica aceitamos tudo.

Habituaram-nos a dizer que sim — e nós dizemos!
Revemo-nos na "escol" política abstendo-nos de agir e de pensar. E é de nós mesmos que nos abstemos…

Decaímos. Amarelecemos por dentro, como se vivêssemos num Outono continuado. Só que o Outono nem é continuado, nem é abdicação! É húmus donde vai surgir vida, flor e fruto.

Nós, ao contrário, parece que escolhemos a abdicação como modo de vida para viver... — até quando?

José Silva

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Este texto foi-me enviado por este amigo e tenho muito prazer em transcrevê-lo no blogue, apesar da sua expressão: “Ó pá isto serve-te para alguma coisa?

Zé Silva, penso que não só serve para mim mas também para muita mais gente que, como tu, vive e sente os problemas que nos rodeiam.

Obrigado, Zé Silva.

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Como acompanhamento musical escolhi um cantor que tu e eu admiramos muito: ZECA AFONSO.

A sua "Balada de Outono" dá o tom a este teu artigo.

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segunda-feira, 18 de setembro de 2006

PLANETA OU ESTRELA FALHADA?

Por dificuldades várias aparecidas há dias neste blog não consigo inserir fotografias.
Desta vez vou recorrer a um email enviado pelo Observatório Astronómico de Lisboa (Centro de Astronomia e Astrofísica) que achei muito interessante.

Os links levá-los-ão às fotos que não consigo inserir:



PLANETA OU ESTRELA FALHADA?

Com o auxílio do Telescópio Espacial Hubble foi obtida uma imagem de um dos objectos mais pequenos alguma vez visto em torno de uma estrela normal para além do Sol.
Com cerca de 12 vezes a massa de Júpiter, este objecto é suficientemente pequeno para ser um planeta mas também suficientemente grande para ser uma anã castanha, uma estrela falhada.

A descoberta deste pequeno objecto, cuja estrela anfitriã é uma anã vermelha designada por CHRX 73, veio relembrar uma questão sobre a qual não existe consenso entre os astrónomos: o que define um planeta em torno de uma estrela que não o Sol - embora tenha sido criada recentemente uma definição de planeta para os objectos no Sistema Solar.

O responsável pela equipa internacional de astrónomos que descobriu o pequeno objecto, designado de CHRX 73 B, acredita que este seja uma anã castanha.

Com o auxílio de novos telescópios, são descobertos cada vez maior número de objectos de pequenas dimensões, com massas planetárias, o que leva os astrónomos a perguntarem se os objectos de massa planetária em torno de outra estrela serão sempre planetas.

Para ver uma imagem no infravermelho próximo da estrela CHRX 73 e do objecto
CHRX 73 B, consulte:


http://www.oal.ul.pt/astronovas/planetas/quesera1.jpg

Alguns astrónomos sugerem que a massa de um objecto extra-solar determina a sua natureza - se é um planeta ou não. No entanto, alguns astrónomos acreditam que um objecto só é um planeta se tiver sido formado a partir do disco de poeira e gás que geralmente se encontra em torno de uma estrela recém-nascida. Este é o caso dos planetas do Sistema Solar, formados há 4,6 mil milhões de anos.

Em contraste com os planetas, as anãs castanhas formam-se como as estrelas, a partir do colapso gravitacional de grandes nuvens de hidrogénio. Ao contrário das estrelas, as anãs castanhas não possuem massa suficiente para dar início às reacções de fusão do hidrogénio nos seus núcleos.

O CHXR 73 B encontra-se a 31.2 mil milhões de quilómetros da sua estrela anfitriã, que possui aproximadamente dois milhões de anos - muito nova comparada com o Sol, que tem 4,6 mil milhões de anos. O objecto encontra-se tão distante da estrela que é pouco provável que se tenha formado num disco em torno desta. Para estrelas de pouca massa, como é o caso da CHXR 73, os discos possuem entre 8 e 16 mil milhões de quilómetros de diâmetro. À distância a que o objecto se encontra da estrela, não existe material suficiente para formar um planeta. Os modelos teóricos mostram que planetas gigantes como Júpiter são formados a distâncias não maiores que 5 mil milhões de quilómetros das suas estrelas.

Para ver uma ilustração artística do objecto e da sua estrela anfitriã consulte:


http://www.oal.ul.pt/astronovas/planetas/quesera2.jpg

Desde que as anãs castanhas foram descobertas, há cerca de uma década atrás, que os astrónomos têm vindo a descobrir centenas destes objectos na nossa galáxia. A maioria destes não se encontra em órbita de uma estrela, mas sim a flutuar pelo espaço. O estudo de objectos sub-estelares em órbita de outras estrelas, permite-nos determinar a idade e massa destes objectos.

Estes estudos ajudam-nos a melhorar a nossa compreensão acerca da formação e estrutura interna das anãs castanhas e dos planetas.

Uma das formas de se esclarecer a dúvida que permanece acerca da natureza do objecto descoberto, seria observar um disco de poeira em torno do mesmo. Tal como as estrelas, as anãs castanhas possuem discos em torno delas, com um diâmetro máximo de 4 mil milhões de quilómetros.

O Telescópio Espacial Spitzer detectou discos em torno de várias anãs castanhas a vaguear pelo espaço, mas o CHRX 73 B encontra-se demasiado próximo da sua estrela para o Spitzer conseguir detectar algum disco. A esperança para se confirmar se realmente existe um disco em torno do CHRX 73 B reside no Telescópio Espacial James Webb que combinará a sensibilidade no infravermelho do Spitzer com a visão aguçada do Hubble.

Informação do:

Observatório Astronómico de Lisboa
Centro de Astronomia e Astrofísica da Universidade de Lisboa



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Este som dos "Shadows" faz-me lembrar tempos que já se foram!...
"Apache"------- "The Shadows"
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José Gomes

domingo, 10 de setembro de 2006

Chile, 11 Setembro de 1973

Salvador Allende - 11 Set. 1973
Pablo Neruda - 23 Set. 1973
Victor Jara - 17 Set. 1973

No dia 11 de Setembro de 1973 um golpe de estado sangrento, comandado pelo general Augusto Pinochet, derrubou o Presidente da República, Salvador Allende, democraticamente eleito três anos antes.

Durante os 17 anos que durou a ditadura de Pinochet foram brutalmente assassinadas 3.197 pessoas (este número inclui 49 crianças de 2 a 16 anos e 126 mulheres, algumas delas grávidas).


Um olhar para o Futuro... que não chegou a acontecer...!


“Pagarei com a minha vida a lealdade do povo"

Última mensagem difundida ao povo chileno, por Salvador Allende, através da Rádio Magallanes, de Santiago, na manhã de 11 de Setembro de 1973:


- 9:10


"Certamente, esta será a ultima oportunidade em que poderei dirigir-me a vocês. A Força Aérea bombardeou as antenas da Rádio Magallanes.

As minhas palavras não têm amargura, mas sim, decepção. Que sejam elas um castigo moral para quem traiu o seu juramento (…)

Colocado num transe histórico, pagarei com a minha vida a lealdade do povo. E digo-lhes que tenham a certeza de que a semente que entregamos à consciência digna de milhares de chilenos, não poderá ser ceifada em definitivo.

Eles têm a força, poderão subjugar-nos. Porém, os processos sociais não se detêm nem com crimes nem com a força. A história é nossa e é feita pelo povo.

Trabalhadores da minha Pátria: quero agradecer-lhes a lealdade que sempre tiveram, a confiança que depositaram num homem que foi apenas intérprete de grandes anseios de justiça, que empenhou a sua palavra no respeito à Constituição e à Lei, e assim o fez.

Neste momento definitivo, o último em que posso dirigir-me a vocês, quero que aproveitem a lição: o capital estrangeiro, o imperialismo, unidos à reacção criaram o clima para que as Forças Armadas rompessem a sua tradição, que lhes fora ensinada pelo general Schneider e reafirmada pelo comandante Araya, vítima do mesmo sector social que hoje estará à espera, com mão alheia, de reconquistar o poder para continuar a defender as suas mordomias e os seus privilégios.

Dirijo-me a vocês, sobretudo à mulher modesta da nossa terra, à camponesa que acreditou em nós, à mãe que soube da nossa preocupação pelas crianças. Dirijo-me aos profissionais patriotas que continuaram a trabalhar contra o levantamento popular estimulado pelas associações de profissionais, associações classicistas que também defenderam as vantagens de uma sociedade capitalista.

Dirijo-me à juventude, àqueles que cantaram e doaram a sua alegria e o seu espírito de luta. Dirijo-me ao homem do Chile, ao operário, ao camponês, ao intelectual, àqueles que serão perseguidos, pois no nosso País o fascismo já esteve presente várias vezes: nos atentados terroristas, explodindo pontes, cortando linhas ferroviárias, destruindo oleodutos e gasodutos, perante o silêncio daqueles que tinham a obrigação de tomar providências.

Eles estavam comprometidos. A história irá julgá-los


Certamente, a Rádio Magallanes será calada e o metal tranquilo de minha voz já não chegará até vocês. Mas isso não é importante. Vocês continuarão a ouvi-la. Ela estará sempre junto de vós. Pelo menos a minha lembrança será a de um homem digno que foi leal com a Pátria.

O povo deve defender-se, mas não se sacrificar. O povo não pode deixar-se arrasar nem se deixar balear, mas tampouco pode humilhar-se.

Trabalhadores de minha Pátria, tenho fé no Chile e no seu destino. Outros homens hão-de superar este momento cinza e amargo em que a tradição pretende impor-se. Prossigam vocês, sabendo que, bem antes que o previsto, de novo se abrirão as grandes alamedas por onde passará o homem livre, para construir uma sociedade melhor.

Viva o Chile! Viva o Povo! Viva os Trabalhadores!

Estas são minhas últimas palavras e tenho a certeza de que o meu sacrifício não será em vão. Tenho a certeza de que, pelo menos, será uma lição moral que castigará a deslealdade, a covardia e a traição."

Salvador Allende
Santiago do Chile,
Manhã do dia 11 de Setembro de 1973.
Pouco minutos passavam das 9 horas...






Morrem os heróis... o FUTURO, esse, nunca poderá morrer!

Esta é a minha homenagem a Salvador Allende, aos mártires dos anos de terror e a todo o Povo do Chile.


11 Setembro 2006
José Gomes


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Victor Jara foi barbaramente torturado e mais tarde, depois de lhe terem decepado as mãos, foi cravado de balas...

Em sua homenagem deixo-vos com uma bela canção interprtada por Victor Jara em que fala na Indochina e no Vietname (hoje poderíamos substituir por Afeganistão, Iraque, Líbano, Palestina...!) e o direito de viver em Paz...

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