terça-feira, 25 de julho de 2006

Manhã de terça feira...

Pois!
Hoje lembrei-me deste patinho que fez as delícias da minha juventude... será que algum dia eu tive a sorte de ter sido jovem?
Estou sentado ao computador, a olhar para as teclas que há muito nada me dizem.
Tento escrever ... mas nada sai!
Espelhado pelas teclas apenas vejo fome, fumo, destruição, dor, gritos e morte nesta aldeia global.
E gritos, muitos gritos!...
Apetece-me agarrar numa mochila e ir para um sítio onde não haja nada... nem ar, nem céu, nem luz, nem fogo...
Um local onde haja só - e apenas - silêncio.
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Em ocasiões como estas nada melhor que recordar
"Hasta Siempre"
Victor Jara

E dedicar esta canção a todos que partiram sem verem concretizado o seu sonho de um mundo mais justo, mais fraterno, mais igualitário.
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terça-feira, 18 de julho de 2006

Eu tenho um sonho...

Tem sido um dia para pensar...

Este calor infernal (apesar das pinguinhas que caem e secam logo!) não convida a sair de casa. E sair para ir onde: para a praia? - A água deve estar tão fria que não compensa o sacrifício de pegar no carro e ir arrostar as queimaduras do Sol e os malefícios dos ultravioletas e infravermelhos.

Sentei-me ao computador, sem qualquer vontade de escrever... e ligada a televisão, estou a ouvir, nas minhas costas mais uma frente de guerra que foi aberta no médio oriente!!!

Neste mundo globalizado o panorama continua a ser o mesmo: a paz é substituída pela guerra; a amizade é substituída pelo ódio; o poder do mais forte espezinha o mais fraco; ao diálogo responde-se com as ameaças…

Já repararam que o esforço de guerra só causa destruição, morte e mutilações de toda a espécie?…O dinheiro gasto neste esforço poderia ser aplicado noutros esforços mais humanitários: construir mais Hospitais, mais Escolas, mais e melhor ambiente

Combater – isso sim! – a fome e as várias formas de doença que há por todo o mundo.


Aos senhores da guerra, aos que se dizem defensores da Vida, deixo esta mensagem de Luther King, na esperança que ela toque o que ainda resta dos seus corações e das suas consciências.


Martin Luther King a discursar na escadaria do «Monumento a Lincoln»



Martin Luther King
(1929-1968)

Foi um líder negro pacifista e pastor da Igreja Baptista norte-americana.

Nasceu em Atlanta, na Georgia e formou-se em Teologia na Universidade de Boston.

Em 1963, M. L. King e outros líderes negros organizaram a “Marcha para Washington”, que foi um protesto que contou com a participação de mais de 200.000 pessoas que se manifestaram em prol dos direitos civis de todos os cidadãos dos Estados Unidos.

Nesta marcha fez seu mais famoso discurso “Eu Tenho Um Sonho”. O discurso que expressava o seu sonho – e o sonho de todos os negros e de outras minorias nos Estados Unidos – de viver numa sociedade igualitária e justa.

Em 1965 liderou um boicote contra a discriminação racial que durou 381 dias.

A sua filosofia de não-violência era baseada na vida de Ghandi e nos princípios cristãos.

A maior parte dos direitos reivindicados foram incluídos na Lei Geral dos Estados Unidos com a aprovação da Lei de Direitos Civis (1964) e da Lei de Direitos Eleitorais (1965).

Em 1964 ganhou o Prémio Nobel da Paz.

Em 4 de Abril 1968 foi assassinado em Memphis, Tennessee, Estados Unidos da América, por um branco.


O seu discurso mais famoso "Eu Tenho Um Sonho (I Have A Dream)" ainda hoje é lembrado:


Eu tenho um sonho que um dia esta nação se erguerá e viverá o verdadeiro significado de seus princípios: - Nós acreditamos que esta verdade seja evidente, que todos os homens foram criados iguais.

(...)

Eu tenho um sonho que um dia os meus quatro filhos viverão numa nação onde não serão julgadas pela cor de sua pele, mas sim pelo conteúdo de seu carácter.



“I have a dream that one day this nation will rise up and live out the true meaning of its creed: - We hold these truths to be self-evident, that all men are created equal.

(…)

I have a dream that my four little children will one day live in a nation where they will not be judged by the color of their skin but by the content of their character.”


José Gomes
18 Julho 2006

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Para completar este texto nada melhor que ouvir
John Lennon em "Imagine"
E sonhar com esta utopia...
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domingo, 16 de julho de 2006

Entrada dos "Chuviscos" em manutenção


Devido a problemas surgidos neste blog e que ainda não encontrei solução, a partir desta data ficará em manutenção.

Problemas:

  • Desapareceu o título do artigo, logo a seguir à data de postagem (e esta está quase ilegível!);
  • Desapareceu o calendário;
  • Não consigo arranjar o cabeçalho do blog;
  • Desapareceu o "About me": - "Boneco"; Nome; Localidade;
  • Desapareceu "View my complete profile";
  • Não consigo "postar" imagens....
  • O tom azulado da coluna da direita dá uma ideia de uma cor manchada...
  • ... enfim!

Bom fim de semana.

Até uma próxima oportunidade.

Um dia destes a gente vê-se, tá?!

domingo, 9 de julho de 2006

Recordações de um tempo já passado...

Imagem roubada à Lique (http://mulher50a60.weblog.com.pt/)

– mas é por uma boa causa!

Há um ano para cá a nostalgia e um certo tipo de revivalismo me vem assaltando com demasiada frequência…
Hoje deu-me para ouvir Patxi Andión… a voz e a poesia que num tempo já passado onde ainda se acreditava na esperança, num mundo melhor, numa terra sem guerras, sem dores, sem gritos, sem fome…

Quem quiser seguir o poema e a música, façam o favor!


Palabras

20 años de estar juntos
esta tarde se han cumplido
para ti flores, perfumes
para mi, algunos libros.
No te he dicho grandes cosas
porque no me habrian salido
ya sabes cosas de viejos
requemor de no haber sido.

Hace tiempo que intentamos
abonar nuestro destino
tu bajabas la persiana
yo apuraba mi ultimo vino.
Hoy en esta noche fria
casi como ignorando el sabor
del la soledad compartida
quise hacerte una cancion
para cantar despacito
como se duerme a los niños
y ya ves,
solo palabras
sobre notas me han salido
que al igual que tu y que yo
ni se importan ni se estorban
se soportan amistosas.
mas no son una cancion
que helada esta casa !
sera que esta cerca el rio
o es que estamos en invierno
y estan llegando,
estan llegando...
los frios.


Patxi Andión

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segunda-feira, 3 de julho de 2006

A GUERRA DOS MUNDOS - Parte II

A Invasão dos Marcianos
(Versão livre do rádio-teatro transmitido pela Rádio Renascença
em 25 de Junho de 1958, às 20,45 horas)


Em continuação do artigo que iniciei no “post” anterior, vou hoje falar-vos sobre “A Guerra dos Mundos” (“A Invasão dos Marcianos”, na versão portuguesa) e que teve o condão de assustar não só os ouvintes mas também os governantes de então… talvez fosse por isso que Salazar deu ordem à Pide para dar a Matos Maia (o realizador, o intérprete, o homem dos efeitos especiais…) um “puxão de orelhas”!


Mas vamos lá à história…


Por acaso, no dia em que a RR transmitiu o rádio-teatro “A Invasão dos Marcianos”, talvez por conhecer a história e ter ouvido os avisos que antecederam o programa não entrei na histeria colectiva que acabou por se instalar nos ouvintes.


Como é que nasceu "A Invasão dos Marcianos"?


Matos Maia, um homem da Rádio, influenciado pelo livro de H. Wells “A Guerra dos Mundos” e pelo programa radiofónico inspirado nesta obra (que foi para o ar, nos Estados Unidos, em 30 de Outubro de 1938, conduzido pela mão do actor G. Wells e que bateu todos os recordes de audiência dessa noite), resolveu fazer um programa semelhante… mas à maneira portuguesa!!!


Depois de ter elaborado o resumo do rádio-teatro, Matos Maia, contactou a Direcção da Rádio Renascença que o leu e achou curioso. Endossou o assunto para a censura interna que, também, não viu qualquer inconveniente em ser transmitido, mas não fosse o diabo tecê-las consultaram, ainda, o delegado do Governo.
[1]


Este não encontrou qualquer razão para proibir o projecto de Matos Maia.


Depois da luz verde dada por todos, Matos Maia passou à fase seguinte: escrever o guião e escolher os intervenientes que iriam participar na "A Invasão dos Marcianos".


O papel do repórter da Rádio Renascença no rádio-teatro seria desempenhado por Henrique Mendes mas este, à última hora, pediu para que fosse substituído porque estava a prestar provas para entrar na RTP.


Para que a história tivesse o mínimo de credibilidade foram escolhidos quase a dedo os intérpretes entre os colegas de Matos Maia.


Os efeitos especiais estavam a dar os primeiros passos. Foi precisa muita imaginação para se criar ruídos e certos sons para determinadas situações.


O trabalho de criação desenvolvido por toda a equipa interveniente durou cerca de onze meses.
[2]


Durante a transmissão da “A Invasão dos Marcianos” começaram a "cair" os telefonemas mais variados nos estúdios da RR: desde angustiantes, curiosos, até aos insultuosos!
Até a agência noticiosa "France Press" quiz saber o que se estava a passar em Carcavelos (lugar da acção) e onde ficava a "Quinta das Conchas" pois tinham já mandado repórteres para o local"...


Por duas vezes, pelo telefone, o comandante de piquete da PSP, irritado e em tom ameaçador, ordenou a interrupção do programa ou, caso contrário, o responsável pela transmissão seria preso.


Os telefonemas, as ameaças e o nervosismo que se apoderou dos “actores” levaram-nos a ignorar a ameaça do comandante da polícia e tentaram, primeiro, tranquilizar os ouvintes, dizendo que o que estavam a ouvir era pura ficção…


O comandante da polícia enviou, mais tarde, um subchefe e três guardas devidamente armados que prenderam, nos estúdios da R.R., o responsável pela emissão.
A partir daí a emissão foi definitivamente interrompida e passou a a ser transmitida música gravada e os anúncios.


No Governo Civil, Matos Maia compreendeu a histeria que se instalara: um PBX com 20 linhas estava totalmente bloqueado por pessoas que queriam saber o que se estava a passar... até havia relatos de incêndios em Carcavelos, guerra em Vila Nova de Gaia, milhares e milhares de mortos, etc...


Matos Maia ficou preso numa cela do Governo Civil durante cerca de 3 horas, como se fosse um vulgar meliante.


No dia seguinte todos os jornais tinham manchetes sobre o assunto, uns criticando e pouquíssimos aplaudindo. Chegou-se a pedir ao Governo "uma censura mais apertada para a Rádio".


"Diário Poular"



"O Primeiro de Janeiro"



Durante vários dias as chamadas telefónicas continuaram a cair na redacção da Rádio Renascença. Sócios da R. R. marcaram a sua indignação deixando de ser sócios. Outros, talvez de espírito mais aberto, frisando que não eram católicos, inscreveram-se como sócios da “Liga dos Amigos da Rádio Renascença”.


Uma semana após esta emissão Matos Maia foi, sobre prisão, conduzido à PIDE para ser interrogado!


Depois de deambular por corredores, pátios, de subir e descer escadas, de “visitar” gabinetes acompanhado por agentes "mudos" finalmente chegou ao gabinete do inspector que o interrogou.


Este estava profusamente documentado sobre o livro de H. Wells, a dramatização de G. Wells e o efeito que o programa provocara nos Estados Unidos em 1938 .


O inspector fez “render” o interrogatório o tempo necessário de maneira a meter um susto de truz ao autor da “brincadeira”. O interrogatório terminou mais ou menos com estas palavras:
"Por agora tudo bem. Mas não se meta mais nessas coisas. Um dia faz qualquer programa sobre a Lua e, então, volta para cá e daqui nunca mais sai!


Hoje sabe-se que foi o prof. Oliveira Salazar que telefonou ao comandante geral da PSP para cortarem o programa e prenderem por umas horas o responsável. O director-geral da PIDE deveria chamar o responsável do programa, uns dias depois, para "darem um puxão de orelhas ao rapazinho"...[3]

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[1] No regime anterior ao 25 de Abril qualquer informação ou qualquer programa, além da censura para a imprensa propriamente dita havia ainda, um censor residente em cada estação de Rádio.

[2] O ruído da multidão assustada e os gritos que se ouviam no programa foram gravados num baile de Fim de Ano, na Casa do Algarve, junto dos estúdios da Rádio Renascença. A cena do combate em Vila Nova de Gaia foi gravada, em Lisboa, numa noite, em Monsanto, perto do emissor da R.R. Ali gritaram à vontade a palavra "Fogo", bem como todas as ordens dadas em voz alta.

[3] Versão livre de uma reportagem dada por Matos Maia para “Clássicos da Rádio”.

José Gomes
3 Julho 2006

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Continuamos com:

Os Quinta do Bill
"No Trilho do Sol"

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