quarta-feira, 14 de junho de 2006

O CAFÉ - a segunda riqueza de Timor Leste

Este artigo foi escrito e ilustrado pelo Prof. Almeida Serra.

Depois de o ter "trabalhado" para fazer parte da Exposição sobre Timor que recentemente teve lugar da Escola da minha mulher e com o consentimento do autor, aqui estou a "estampá-lo" no blog para que as pessoas interessadas possam seguir o trajecto do café desde o seu nascimento até à secagem.

O trajecto daqui até à chávena onde fumega um líquido aromático é bem conhecido dos apreciadores do café.

Antes de entrar no artigo gostaria de vos apresentar o seu autor:

"O Prof. Doutor Almeida Serra é doutorado em Economia pela Universidade Técnica de Lisboa através do seu Instituto Superior de Economia e Gestão e é Vice-Presidente do
CEsA (Centro de Estudos da Área de Desenvolvimento)
www.iseg.utl.pt/cesa.

Docente do ISEG/UTL desde 1972 é especialista em economia asiática e políticas económicas de desenvolvimento, temas que ensina quer a nível de licenciatura quer de mestrado.

Já leccionou, como professor visitante ou a outros títulos, no Brasil, em Cabo Verde, em Moçambique e em Timor Leste.

Além disso proferiu conferências em Portugal, Índia (Goa), China (Cantão), Moçambique, Brasil (São Paulo, Rio de Janeiro, S. Salvador, João Pessoa) e Cabo Verde.

Nos últimos cinco anos trabalhou por longos períodos em Timor Leste, primeiro como organizador e co-autor do primeiro Relatório Nacional do Desenvolvimento Humano publicado pelo PNUD e depois como conselheiro económico do banco central do país, a Autoridade Bancária e de Pagamentos de Timor Leste (
www.bancocentral.tl)

É autor de vários textos da sua especialidade, alguns deles publicados pelo CEsA na sua colecção “Documentos de Trabalho”.

É também o responsável por vários “sites” na Internet, nomeadamente o
www.infotimor.tl com informações económicas e sociais sobre Timor Leste."

E agora...



O café
- uma riqueza de Timor Leste -



Planta de café, de troncos finos e com cerca de 2-3 metros de altura.
Em Timor cultivam-se duas qualidades diferentes, o robusta e o arábica, este último mais saboroso.

O café de Timor é considerado ecológico porque não são utilizados nem pesticidas nem fertilizantes.

A grande maioria das plantas existentes foram plantadas durante a colonização portuguesa, tendo muitas mais de 40 anos e precisando, por isso, de serem renovadas, o que tem sido uma tarefa difícil por os camponeses não poderem dispensar os seus fracos rendimentos durante cerca de 4 anos, o necessário para as novas plantas começarem a produzir.

O café é quase o único produto não-petrolífero exportado pelo país, com cerca de 7 milhões USD/ano; cerca de 55% vão para os Estados Unidos e 9% para Portugal.

O café do Brasil é “filho” do café de Timor já que foi levado inicialmente para lá pelos portugueses a partir de plantas de Timor; este “parentesco” faz com que uma eventual renovação dos cafezais de Timor possa ser feita com podas oriundas do Brasil já que a genética do café brasileiro é muito semelhante à do café de Timor, seu “pai”


O café é cultivado sob a copa de árvores altas (cerca de 10-12 metros), originária do Brasil, chamadas “madre del cacau” --- apesar de, em Timor Leste, servirem de cobertura ao café e não ao cacau.



Estrada do distrito de Ermera, uma das principais regiões produtoras de café em Timor Leste, rodeada (à direita) de “madres del cacau” e de plantas do café.



Flor do café



Grãos verdes de café;
esta foto foi reproduzida na moeda timorense de 50 centavos (Dezembro)




Planta de café com grãos maduros e verdes (fim de Março)



Grãos de café já maduros e prontos a iniciar o processo de tratamento, o qual se inicia com a sua fermentação em água que serve também para ajudar a largar a pele antes do efectivo descasque dos grãos (Abril/Maio).



Grãos descascados e prontos a serem secos ao sol



Grãos de café a secarem ao sol na região de Ermera



Texto e fotos:

A. M. de Almeida Serra (CEsA/ISEG)
Maio/2006
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Quero agradecer ao Prof. Almeida Serra esta licção sobre os "caminhos do café". Poderia terminar este seu trabalho até ao deglutir este precioso líquido, mas seria adulterar o seu trabalho.

José Gomes
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Para uma amiga que está em Timor e que me ofereceu esta música antes de embarcar, dedico-te, com um grande abraço, "Monangambé", na voz de Rui Mingas.

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8 comentários:

  1. Excelente documento !
    Aparece pelas minhas causas.
    Vais gostar.

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  2. Estamos sempre a aprender:)
    Bom post;) beijos

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  3. Amiga Júlia, tenho aparecido sempre pela http://ascausasdajulia.blogspot.com/ , mas escrever por escrever não tenho tido vontade. Mas aconselho uma visita ao teu blog e se debrucem sobre o post que não tivew coragem de fazer.
    Porque sempre admirei esse HOMEM.~
    Um abraço.

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  4. Para ti, Wind, a resposta anterior também diz respeito a ti, à um número de blogs que são de visita diária... não gosto de deixar apenas um "Olá!... mas estás sempre dentro do coração.
    Aquele abraço

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  5. RosaTeixeiraBastos14/6/06 12:42

    Como eu digo, o teu blog é uma fonte de cultura.
    Denota muito trabalho e a maior dedicação.
    Obrigada, Zé.
    Rosa

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  6. Olá Zé!
    Obrigada pela partilha!
    Fiquei encantada com tudo e principalmente com a flor, que pensei seria doutra cor e não branca.
    Um beijo enorme da
    Maria Mamede

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  7. I have been looking for sites like this for a long time. Thank you! » »

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