quinta-feira, 30 de março de 2006

Timor... recordações!

Timor - lá onde o sol nasce primeiro...

Desde que comecei a interessar-me por Timor, tem sido uma correria e uma busca incessante pelas livrarias, alfarrabistas e bibliotecas, no sentido de "viver" Timor com os olhos do coração.

Há dias a Amita (Maria de Fátima) fez-me chegar este email:

Olá Zé
Estes poemas fazem parte um livro oferecido pelo autor e, segundo li, ainda parente, ao meu avô paterno em 20-VI-1950.
Confesso que desconhecia esta faceta do meu avô e fiquei agradavelmente surpreendida.
Uma bjoka e aqui vão os poemas:

TIMOR DEI

No arrebol da manhã calma e jocunda,
Turbando a paz idílica da aldeia,
Dobram sinos; a sua voz profunda
Clama, retumba, em frenesi pranteia.

Irrompe o sol; de viço a terra inunda:
Matinada jovial! O amor gorjeia
Nos ninhos e sorri na flor fecunda...
- Mas o bronze fanático estrondeia!

Como a torvos ascetas zeladores,
Eu detesto-vos, sinos atroadores;
Com Deus na boca apavorais a gente.

Sois pregão da implacável divindade:
Jesus falava à pobre Humanidade
De amor e de perdão, suavemente...

(Abril de 1940)
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Não transcrevo hoje o segundo poema pois este diz respeito à luta pela liberdade durante a ditadura. Ficará para mais junto ao 25 de Abril.

Tentei descobrir algumas coisas sobre o autor.
Daniel Salgado é o seu nome, o livro chama-se "Velha Lucerna - últimos lampejos", é edição de autor e foi impresso em 1950 em V. N. Famalicão.

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Obrigado, Amita, por me teres dado a conhecer este poema e a autorizar a sua publicação neste blog.

Um abraço

José Gomes

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"Em Português vos amamos"
Vários Artistas
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8 comentários:

  1. Interessante:) Zé se me permites só uma pequena correcção: em cima a data deve ser 20/06/1950:)beijos

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  2. Em relação à data ia dizer o mesmo que a Wind... beijos para ti (Wind).
    Em todos os tempos sempre houve muita gente que adorou Timor... parece que muitos beberam água de côco.O meu pai dizia que quem bebesse água de côco não seria capaz de viver sem Timor. O meu pai bebeu imensa!!?...
    Jinhos Paisinho.
    ZM obrigada pelo poema que transcreveste e pela música.
    Jinhos.

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  3. Obrigado Zé.. pelo convite e...
    tens razão... vale mesmo a pena ler e reler o poema...

    Aproveite e (á tanto tempo que aqui não vinha, que aproveitei...lol) cusquei tudo e de tudo que li e vi, gostei especialmente do Pedo H. Melo e de saber algo mais da Rasalia de Castro, que confesso desconheço em absoluto a sua obra...

    Obrigado, foi proveitosa esta visita

    Abraço

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  4. Olá Zeca!
    Tal como ela (Amita) me deixou escrito um dia num Blog meu, ela também uma caixinha de surpresas...
    A vida é isto; boas ou más descobertas sobre os "nossos".

    MUito bonito

    Um beijo

    Maria mamede

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  5. Olá Zé. Tenho aqui
    algumas "velharias" (que não o são) que ainda não investiguei nem li. Livros que exigi que ficassem para mim sem saber o seu conteúdo. Nesse tempo eram recordações que não queria que se perdessem. Este do Daniel Sampaio emprestar-te-ei um dia, com muito gosto. Quanto à data da dedicatória é "Fam.20-VI-1950". A edição é de MCML.
    Um bjinho grande para todos, uma flor linda e um bom fim-de-semana com muito sucesso.

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  6. Gostei do poema pá. Timor deve ser como África, há para ali um feitiço qualquer que cativa para sempre quem lá toca.

    Um @bração do
    Zeca da Nau

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  7. ola ze.
    tambem nao tenho andado bem de saude. por acaso ate estado muito mal. mudança de ambiente que afectou nao so o psicologico, como de maneira mais grave, o fisico.
    mas como ainda dizes... ainda vivo.

    abraço da leonoreta

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  8. Por dificuldades - penso que técnicas! - não consigo postar no CHUVISCOS.
    Como ABRIL é uma data especial e que deve ser relembrada passei-me (até o Blogger regularizar os seus problemas) para Movimentum
    (http://movimentum.blogs.sapo.pt/)
    Um abraço

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