sexta-feira, 24 de fevereiro de 2006

ROSALIA DE CASTRO









Nasceu a 24 de Fevereiro de 1837, em Camiño Novo, Santiago de Compostela, Espanha.
Consta do seu registo de nascimento “órfã de pai e mãe” mas, na realidade, Maria Rosalía Rita (como foi baptizada) era filha de José Martínez Viogo (pároco da aldeia de Santa Maria) e de Maria Teresa de la Cruz de Castro y Abadia, solteira, originária de uma família fidalga galega.
O pai, padre, embora não a reconhecendo como filha (por causa da sua condição e do escândalo que se gerou à volta daqueles amores ilícitos...) não a abandonou, entregando-a ao cuidado de duas irmãs que trataram da sua educação enquanto criança.
Rosalía viveu com as suas tias até aos dez anos, na aldeia de Castro de Ortoño, próxima de Santiago. Foram elas que lhe ensinaram a língua galega, incutiram o amor à terra e deram a conhecer a poesia, as tradições e os costumes populares.
Embora a sociedade galega fosse mais aberta e compreensiva em relação aos filhos ilegítimos, o simples facto de ser filha de um padre não foi bem aceite, o que veio marcar profundamente a sua vida e o seu carácter.
A partir dos quinze anos começou a viver com a sua mãe, por quem nutria um carinho muito especial.
No “Liceo de la Juventud” (1854) interpretou o principal papel de “Rosmunda”, drama de Gil e Zárate.
Com 19 anos (1856) foi para Madrid e conheceu Manuel Murguía, um jovem jornalista galego, historiador (foi o autor da primeira “Historia de Galicia”), romancista, com ideais nacionalistas e progressistas.
Com 20 anos de idade (1857), publicou “La Flor”, o seu primeiro livro de poesia, que escreveu em castelhano.
Casou em Madrid (1858) com Manuel Murguía, de quem viria a ter seis filhos.
Rosalía, juntamente com Adolfo Gustavo Bécquer e outros intelectuais galegos (integrados nos círculos culturais da altura), foram responsáveis pelo desenvolvimento da Renascença galega e precursores do reconhecimento da língua e da pátria galega, como forma de enraizamento duma cultura e de uma identidade regional.
Em 1859 escreveu “La hija del mar” uma novela folhetinesca que no fundo reflecte o seu conceito de amor.
Vamos encontrar Rosalía (1860), em Santiago de Compostela, de novo no teatro, interpretando o papel principal na peça “Antonio de Leiva”, drama histórico de Juan Ariza.
Em 1861 escreveu "Cantares Gallegos", o seu primeiro poema nesta língua.
As relações e a convivência entre mãe e filha criaram um envolvimento afectivo de grande intensidade durante os poucos anos em que estiveram juntas. Foi com grande dor e desilusão que a jovem poetisa encarou a morte da mãe em 1862.
A mi madre” (1863) é uma colecção de poemas escritos em castelhano que dedicou à sua mãe.
O seu livro “Cantares Gallegos” (1863), escrito em língua galega reflecte, não só a beleza da sua terra natal, como também a identifica com a cultura, a maneira de ser e o pensamento do sue povo.
Publicou vários ensaios, contos e poemas em que deu a conhecer o seu pensamento e a sociedade que a rodeava.
Em 1875 nasceu o seu penúltimo filho. O destino deu-lhe, então, um duro golpe quando, ano e meio depois, este morreu vítima de uma queda. A partir de então Rosalía, já de si deprimida, pessimista e com a doença a manifestar-se, mergulhou num intenso pesar e sentimento de culpa.
A sua dor está reflectida neste poema que descreve a morte do seu filho Alexandre:

"Era apacible el dia
Y templado el ambiente,
Y llovia, llovia
Calada y mansamente;
Y mientras silenciosa
Llorava yo y gemia
Mi niño, tierna rosa
Durmiendo se moría.
"

A roda de intelectuais em que viveu vai contribuir para a publicação, em 1880, de “Follas Novas”, livro de poemas escrito em galego e onde vamos encontrar uma Rosalía preocupada com a pátria galega e a sua revolta, pela fome e pela miséria em que viviam os camponeses, que foram obrigados a emigrar para sobreviverem.
Em 1884 publicou, em castelhano, “En las Orillas del Sar”, que é considerada a sua obra-prima. Abordou temas como a dor, a tristeza, a religiosidade, a angústia de viver e um constante desassossego moral e espiritual.
Rosalía de Castro morreu, vítima de cancro, em Padrón, a 15 de Julho de 1885, com apenas 48 anos de idade.
Foi enterrada em Iria Flavia, no cemitério de Adina, o mesmo que ela cantara em seus poemas:

"O semiterio da Adina
n’hai duda que é encantador,
cos seus olivos escuros
de vella recordazón.
Con seu chan de herbas e frores
lindas, cal no’outras dou Dios,
cos seus canónegos vellos
que nel se sentan ó sol;
(...)
"

Em 25 de Maio de 1891 os seus restos mortais foram transladados para o Panteão de Santo Domingo, em Santiago de Compostela, onde repousam os galegos ilustres.

Como curiosidade (e porque por lá passei durante muitos anos e tive a oportunidade de conhecer e falar com o jardineiro que tratava com grande amor e carinho a escultura “... e porque a senhora gostava muito de flores...” dedicou-lhe aquele que ele considerava como “o seu jardim” - na altura um dos mais bonitos do Porto) vou falar-vos do Monumento a Rosalía de Castro:

A 28 de Junho de 1936, a Comissão Administrativa da Câmara Municipal do Porto, então presidida por Alfredo de Magalhães, deliberou dar o nome de Galiza à praça da cidade que se situa entre a Rua de Júlio Dinis e o Campo Alegre, mesmo em frente à Escola Gomes Teixeira.
Poucos anos depois, o presidente da Câmara Luís de Pina mandou fazer um monumento com espelho de água que celebrasse a grande poetisa galega Rosalía de Castro.
A escultura é da autoria de Mestre Barata Feio e foi inaugurada a 3 de Agosto de 1954.
Esteve presente na cerimónia de inauguração, além das individualidades que aparecem normalmente nestas situações, Gala Murguía de Castro, uma das filhas da autora de “Follas Novas” que ofereceu à cidade, nessa ocasião, um poema manuscrito de sua mãe Rosalía de Castro. Este manuscrito encontra-se na Biblioteca Pública do Porto.


José Gomes
24 de Fevereiro 2006
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Cantar de Emigração
Canta ---- Adriano Correia de Oliveira
José Niza (música) – Rosália de Castro (poema original)
CD: Memória de Adriano
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domingo, 19 de fevereiro de 2006

A António Gedeão...



"Minha aldeia é todo o mundo.
Todo o mundo me pertence.
Aqui me encontro e confundo
com gente de todo o mundo
que a todo o mundo pertence.
"

(In "Minha Aldeia" - António Gedeão)

Faz hoje 9 anos, 19 de Fevereiro, que António Gedeão (prof. Rómulo de Carvalho) nos deixou fisicamente.

Foi um dos mais brilhantes poeta / professor do século XX, que nos deixou um brilhante legado no campo da poesia (António Gedeão) e no campo científico (Rómulo Carvalho).

Foi uma poesia que marcou uma geração a braços com uma ditadura e uma guerra cujo fim não se advinhava.

"Pedra Filosofal", poema seu, musicado e interpretado por Manuel Freire, transformou-se num hino de esperança e mobilização que viria a abrir a porta ao Sonho e à Liberdade.

Foi um homem recatado que dominava os segredos das ciências, nomeadamente no campo das Físico-Químicas. Dedicou-se ao ensino, à investigação e à publicação de numerosos livros de divulgação científica.

"Ser Professor - dizia - tem de ser uma paixão. Pode ser fria, mas tem de ser uma paixão e uma dedicação".

Em sua homenagem escolhi:

Lição sobre a água

Este líquido é água.
Quando pura
é inodora, insípida e incolor.
Reduzida a vapor,
sob tensão e alta temperatura,
move os êmbolos das máquinas que, por isso,
se denominammáquinas de vapor.

É um bom dissolvente.
Embora com excepções mas de um modo geral,
dissolve tudi bem, ácidos, bases e sais.
Congela a zero graus centesimais
e ferve a 100, quando à pressão normal.

Foi neste líquido que numa noite de Verão,
sob um luar gomoso e branco de camélia,
apareceu a boiar o cadáver de Ofélia
com um nenúfar na mão.

"In "Poema Escolhidos" - António Gedeão)

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"Pedra Filosofal"
Poema---- António Gedeão
Canta----- Manuel Freire
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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2006

Visita do Presidente da República a Timor Leste...

«Lisboa, 15 Fev (Lusa):
O Presidente da República, Jorge Sampaio, visita Timor-Leste de 21 a 23 de Fevereiro, tendo escolhido para a sua última viagem ao exterior enquanto Chefe de Estado um país a cuja independência ficará historicamente associado.

Para a realização desta viagem oficial (e não de Estado, que obrigaria a uma organização mais complexa) contribuiu a insistência das autoridades timorenses, incluindo do próprio presidente, Xanana Gusmão, disse fonte de Belém.

O Chefe de Estado desloca-se a Timor-Leste pela terceira vez, depois de ter estado no país em Fevereiro de 2000 - a primeira visita de um chefe de Estado português - poucos meses depois do referendo e da onda de violência que se seguiu, e em Maio de 2002, para assistir às cerimónias da independência.

Ao longo dos três dias, Jorge Sampaio manterá encontros com o seu homólogo timorense, Xanana Gusmão, com o primeiro-ministro, Mari Alkatiri e com o presidente do Parlamento, Francisco Guterres.

Em paralelo, o Chefe de Estado visita o centro de instrução militar Comandante Nicolau Lobato, inteirando-se das aulas de português e instrução prática, participa num seminário sobre "Desenvolvimento político em Timor-Leste" e preside à assinatura de um memorando sobre a ligação de escolas timorenses à Internet.

A visita inclui ainda uma visita ao cemitério de Santa Cruz, encontros com veteranos e antigos resistentes, bem como a deslocação a uma escola portuguesa.

Jorge Sampaio tem igualmente previstos encontros com os dois bispos de Díli e de Baucau.

O Presidente vai receber das autoridades timorenses a cidadania honorária e um passaporte diplomático, uma distinção justificada pelo "empenho que Jorge Sampaio sempre demonstrou na defesa de Timor- Leste", nas palavras do presidente do Parlamento, Francisco Guterres "Lu-Olo".

A cooperação será um dos temas principais da visita do Chefe de Estado, que se fará acompanhar pelo secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, João Gomes Cravinho.

Timor-Leste é actualmente o principal destinatário da cooperação bilateral portuguesa (50 milhões de euros para o triénio 2004-2006), apoiando projectos em diversas áreas.

Paralelamente, Portugal participa noutros projectos multilaterais de ajuda ao desenvolvimento de Timor-Leste, nomeadamente no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e do Banco Mundial.

Educação, reintrodução da língua portuguesa, "capacitação institucional do Estado" (consolidação do Estado de direito), desenvolvimento económico e social (águas, saneamento básico, planeamento e urbanismo, agricultura, entre outras), cooperação técnico-militar (componentes naval, terrestre e formação de quadros) e a cooperação parlamentar são algumas das principais áreas.

A educação é uma das principais áreas da cooperação bilateral:
no corrente ano lectivo estão 111 professores portugueses espalhados pelos 13 distritos de Timor, juntamente com 170 formadores timorenses.

Na Universidade de Díli estão já a funcionar cinco cursos leccionados em português.

Juntam-se também à visita, por sua iniciativa, diversos empresários, entre os quais um representante da Galp, empresa que está na corrida para explorar recursos petrolíferos em Timor-Leste (o país tem petróleo e gás natural, fora da área disputada com a Austrália).

Em Timor-Leste estarão também representantes da Fundação do Oriente, Ensul, Portugal Telecom, Caixa Geral de Depósitos, além do empresário Rui Nabeiro ou do seu filho.
PGF. Lusa/fim
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Como complemento a esta notícia não posso deixar passar o "post" de Manuel Leiria de Almeida (http://tatamailau.blogspot.com/) de 15 de Fevereiro e que a seguir (com a devida vénia) tanscrevo:
  • É pena que não veja isto, Sr. Presidente!

Mural em Manatuto - Timor
(Foto do Prof. Almeida Serra)

Agora que vai lá pela última vez enquanto Chefe do Estado português, bem podiam levá-lo a ver esta obra de sabor tão ingénuo mas com grande significado: um casal de timorenses e outro de portugueses de mãos dadas... É só pedir para o levarem a Manatuto --- tem é de subir o "subão"!... ---, junto do mercado. E aproveita e compra uns barros locais. Olhe que o seu anfitrião é dali perto!

José Gomes

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"Lorosae"
Não sei quem canta...
A melodia é agradável...
Quero agradecer à amiga que me cedeu esta música... obrigado!
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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2006

A Criação da Mulher

(Oceano Pacífico, onde estaria em tempos remotos Mu, a "mãe-pátria" do Homem...)

A Criação da Mulher:

Enquanto Adão dormia, o Senhor tirou-lhe uma costela e fez a mulher” – tradição bíblica;

Dos ossos do homem, Deus fez uma mulher e chamou-a Evi” – tradição da Polinésia;

Tao produziu um. Um dividiu-se em dois, dois produziram três e três produziram todos os seres mortais” – tradição chinesa, Lao-Tsen, 500 a.C.;

Os seres humanos foram criados, primeiro, com a forma de um só corpo constituído por homem e mulher. Os corpos eram redondos e rolavam, sobre si mesmo, servindo-se dos braços e das pernas para se deslocarem.
Um dia resolveram desafiar os deuses: deixaram de oferecer sacrifícios e ameaçaram rolar até ao cimo do Olimpo para atacar e destronar os deuses.
Os deuses convocaram de imediato uma assembleia e discutiram o problema, chegando à conclusão que deviam matar todos os seres humanos.
Mas outro teve uma ideia melhor: cortá-los em dois.
Assim cada um ficaria só com dois braços e duas pernas e nunca mais poderiam rolar. Os sacrifícios a oferecer aos deuses seriam a dobrar. E o mais importante era que cada metade passaria o resto da vida à procura da outra metade e assim não teriam tempo para desafiarem os deuses
” – Platão, filósofo grego, no seu livro “Banquete”.

O primeiro homem foi criado “duplo”, possuindo ao mesmo tempo o princípio masculino e feminino.
O Criador provocou-lhe um sono profundo e durante este sono separou os dois princípios.
Quando o homem acordou havia sido criado dois novos seres: um masculino (o homem) e um feminino (a mulher).
Isto foi feito para que a espécie se pudesse perpetuar
” – A criação da mulher, segundo a tradição de MU (tábuas de Naacals).

A Atlântida e MU (dois continentes desaparecidos na antiguidade) mereceram-me desde sempre uma atenção muito especial... hoje lembrei-me da criação da Mulher segundo conceitos de várias civilizações.

José Gomes

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Quanto à música não consigo modificá-la.
Dizem-me os entendidos que o problema é da Netcabo. Primeiramente estaria resolvido no dia 10 deste mês... agora já apontam para 14! Que remédio, até ao dia que a Netcabo me deixe mexer, de novo, na minha página pessoal!...
Fico-me com a Elis Regina e a sua "Fascinação" que é uma forma de lembrar esta grande senhora que já partiu...
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