terça-feira, 6 de dezembro de 2005

TIMOR LESTE - 7 Dezembro 1975

TIMOR LESTE
7 de Dezembro de 1975

Respondendo a algumas perguntas e a várias insinuações, quero aqui deixar bem claro que não sou historiador e nunca tive pretensões a sê-lo! Nem nunca estive em Timor…
A minha paixão por essa Terra é anterior aos caminhos do acaso que me vieram a ligaram-me a Timor por laços familiares.
Gosto muito de ouvir, mais que falar! Tudo aquilo que escrevo sobre Timor tem por base depoimentos que me foram transmitidos por pessoas que lá estiveram, por investigações que fiz e que continuo a fazer, por conversas tidas com familiares, amigos e conhecidos.
Tinha preparado um pequeno trabalho sobre este dia negro que marcou a longa odisseia do povo mártir Maubere até alcançarem a Independência. Mas como era enorme (é o costume, quando começo a escrever nunca mais paro!!!) e o seu conteúdo iria ferir muita gente à minha volta, pessoas que viveram o drama não só nesse dia mas também nos dias que se seguiram. E iria reavivar feridas que quero que cicatrizem naqueles que me estão mais próximos, resolvi fazer este apanhado daquilo que ainda me lembro.

Apesar de tudo o dia 7 de Dezembro de 1975 é uma data que não quero deixar cair no esquecimento. É uma data para meditar, para unir, para pensar na construção, na evolução, no desenvolvimento e na prosperidade da mais jovem Nação do século XXI.

Já relatei, embora sucintamente (ver artigo anterior), os factos que deram origem à guerra civil que terminou com a “Declaração Unilateral da Independência da República Democrática de Timor-Leste” lida pelo seu primeiro presidente da Republica, Francisco Xavier do Amaral, no dia 28 de Novembro de 1975.

A República Democrática de Timor-Leste foi reconhecida apenas por alguns países africanos de expressão lusófona.

Durante nove dias a FRETILIN foi conquistando e consolidando posições antes ocupadas pelas forças inimigas (MAC – Movimento Anti Comunista, formado pela Apodeti, Kota, Partido Trabalhista e UDT).

A 7 de Dezembro de 1975 a Indonésia, com o apoio tácito dos Estados Unidos (no dia anterior tinha havido um encontro entre o presidente dos E.U. América, Gerald Ford, o secretário de estado Henry Kissinger e o general Suharto, em que foi dada luz verde para esta operação), invadiu Timor por terra, mar e ar, bombardeando Díli com 16 vasos de guerra e ocupando a cidade com paraquedistas.

A FRETILIN retirou-se para as matas de Fatu-Beci e daqui organizou a resistência ao invasor.

- Nos primeiros dias da invasão, soldados indonésios massacraram mais de duas mil pessoas. Destruíram casas, pilharam tudo o que puderam e violaram mulheres e raparigas.

- Em 8 de Dezembro o governo de Timor (português), refugiado na ilha de Ataúro, partiu para a Austrália.

- Em 12 de Dezembro a Assembleia Geral da ONU aprovou, por maioria, a resolução 3485 que define o direito inalienável do povo de Timor à autodeterminação, liberdade e independência, lamenta a intervenção militar da Indonésia e apela à sua retirada.

- Em 25 de Dezembro o Conselho de Segurança da ONU adoptou por unanimidade a Resolução 384, em que apelou à Indonésia que retirasse de imediato as suas tropas de Timor e atribuiu poderes de verificação ao Secretário Geral.

- Dois meses depois o número de mortos ascende a mais de 60 mil.

- Em Agosto de 1985 já tinham morrido mais de 200 mil timorenses, numa população estimada em 600 mil.

A sangrenta ocupação militar indonésia durou até 1999 e da política de genocídio perpetrada, resultou milhares de mortos, centenas de aldeias arrasadas e a destruição da densa floresta onde a guerrilha se refugiava.

Com a saída dos indonésios, Timor foi administrado pelas Nações Unidas até 19 de Maio de 2002.

Em 20 de Maio de 2002, em Taci Tolo – a oito quilómetros de Díli - Timor Lorosae é reconhecido finalmente pela comunidade internacional como País livre e Independente.

José Gomes
7/12/2005


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Para que não se esqueça esta data escolhi:
TIMOR
Tuna Universitária do Porto
Concerto de Apresentação da Queima das Fitas 2000
5:29
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13 comentários:

  1. Como sempre, bem escrito e bem documentado. Este povo é herói! Beijos

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  2. Amigo Zé,

    Subscrevo integralmente o teu texto de lembranças dramáticas e de denúncia aos carrascos da Humanidade.

    Como usual, o principal culpado pelo assassinato desses milhares de Seres Humanos tem um nome: USA.

    Infortunadamente, por todo o lado e aqui não é excepção, continuam os lacaios subservientes desse autêntico Eixo do Mal.

    Um Abraço,

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  3. Gostei do k li neste post. Pena não estar mais desenvolvido... é certo que as verdades podem magoar mas devem ser ditas! Não deixe de me mandar o texto completo por favor.
    Para quando um post sobre a mulher timorense? Aguardo com ansiedade.
    Bjs e parabens pelo excelente trabalho.
    AAS

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  4. Sonhadora
    Evidentemente que não quiz desenvolver. Teria que falar de Timor e como foram usados durante a II Guerra Mundial; teria de falar de Timor, do seu orgulho pela bandeira portuguesa; teria de falar como foram tratados durante o regime colonial; teria de falar de Ruy Cinatti e como é que um português se apaixonou e quase desfez a sua vida pelo amor a Timor; teria de falar duma descolonização, duma guerra civil, de uma santa aliança USA, Austrália, Indonésia... teria de falar de combatentes, e da luta que se desenvolveu em todo o Mundo a favor dos ideais de TImor.
    Já me criticaram e foram duros!
    Sinto que Timor foi e será sempre para mim uma Utopia, o País que me ensinaram a Amar, e um Povo que me ensinaram a respeitar.
    Nunca esqueço a primeira vez, à luz da fogueira, que ouvi a lenda do crocodilo, meia em Tetun, meia em português...
    Mas quem sou eu? Um idealista em vésperas de dizer adeus a isto tudo!

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  5. Bastante ausente da net, venho deixar-te um bjo amigo e desejos de um bom feriado (extensivo à tua musa e muito minha querida amiga)

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  6. muito bom e uma justiça homenagem a um povo lutador e tão martirizado. Bj de luz

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  7. RosaTBastos11/12/05 13:45

    TODAS as guerras são injustas e só se fazem porque os homens querem...
    Um dia todas as guerras se tornarão um ponto na história de que todos teremos vergonha...

    Beijo,
    Rosa

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  8. Não poderemos nunca esquecer a Dor de quem partilhou estes momentos!

    Grata por toda a tua partilha e conhecimento que nos dás.

    Um abraço carinhoso para todos e boa semana :)

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  9. Um Povo que é uma referência pela Luta que encetou, apesar da dor e da morte, soube vencer.

    Um abraço e bom domingo ;)

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  10. Anónimo1/3/07 04:21

    Very cool design! Useful information. Go on! » »

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