quarta-feira, 23 de novembro de 2005

TIMOR - uma lenda

Díli - Foto cedida pelo Prof. A. Serra, actualmente em Timor


A Saída do Paraíso
(Adaptação livre de um conto Maubere)


No princípio do princípio, diz-se que em Lautém, na ponta leste da Ilha de Timor, tudo existia:
- as montanhas, as árvores, os mares, os rios, os animais, as pessoas.
Nada nascia e nada morria:
- as folhas continuavam nas plantas, os frutos ofereciam as suas belas cores e as suas formas apetitosas, mas continuavam nas árvores. Os homens existiam sempre homens:
- não nasciam crianças, nem envelheciam e nunca iriam envelhecer.

Nada nascia, crescia ou morria.

Os animais e as pessoas estavam lá... não estavam adormecidas mas também não estavam acordadas. Passavam uns pelos outros, sorrindo indiferentes ao tempo que não corria, sem se preocuparem em saber quem eram, nem para que servia tudo aquilo que existia em seu redor.

Não pensavam e como não pensavam, não tinham necessidade de falar.

A Lua brilhava nos céus e espargia com o seu belo manto aquela terra adormecida... e passava, passava e continuava a passar lá longe, por cima de Lautém.
Passou, passou e continuou a passar até que um belo dia as pessoas sentiram e perceberam que a Lua desde sempre lhes dizia coisas e lhes fazia sinais.

- O que é aquilo? – perguntou alguém um dia. Foi a primeira frase que alguém disse e a primeira pergunta que alguém fez.

Desde esse dia todas as pessoas interrogaram o céu e interrogaram-se umas às outras. Começaram, então, a ser capazes de perguntar e de responder. A sua inteligência despertou e perceberam que a Lua, de cada vez que passava, era sempre diferente. Umas vezes mostrava caras, outras lagos, montanhas, flores, mãos, frutos, gestos…

Foi assim que aprenderam a começar a olhar, com curiosidade, à sua volta, a copiar tudo o que viam, a comer os frutos que pendiam, apetitosos, das árvores ávidas de fazer nascer. E repartiram os frutos uns com os outros...

Foi assim que nasceu o Tempo e a Vida.

Os Homens já nasciam crianças; as pessoas, os animais e as plantas já envelheciam.

As mulheres e os homens começaram a olhar para as suas diferenças e souberam que isso era bom.
As aves, em bandos, enchiam os céus prenhes de cores, com o seu alegre chilrear. Os animais afagavam-se no manto verde, indolentes e ronronavam em volúpias de desejo.

Os homens e as mulheres, olhos nos olhos, mãos nas mãos, descobriam um mundo diferente…

Foi assim que nasceu o Amor.

Começaram a sorrir… e, felizes, aprenderam a rir!

Pôr do Sol em Díli - Foto cedida pelo Prof. A. Serra, actualmente em Timor

José Gomes
23 Nov. 05

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"Unchained Melody"
(Tema do filme "The Gost")
Interpretação: "Pan Pipe"
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10 comentários:

  1. Tão lindo:)))) E esta música está a condizer com o que está escrito;) beijos

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  2. Sylvia Cohin23/11/05 22:59

    CHEGOU E ABRIU O SOM E O POST ESTÁ LINDO!!! ABRAÇÃO, SYL

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  3. Amigo Zé,

    Ofereceste-nos uma linda prosa eivada de Poesia e Vida!

    A música está excelente.

    Um Abraço,

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  4. Maria Mamede24/11/05 18:47

    Olá Zeca!
    Estás um Mestre!!!
    Adaptação, Música e a fotografia do Dr.Serra.
    Parabéna aos dois.
    Beijos.
    Maria Mamede

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  5. Lindo demais! Adorei.
    Parabens. Vou mandar umas músicas timorenses (quer?) por email e agradeço as que me mandou.
    Abraço desde Oeiras já toda cheinha de luzes natalícias :)
    AAS

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  6. já conhecia esta lenda, mas é tão bela k dá smp um prazer imenso ler.Bom f.s. bjs e ;)

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  7. Quero agradecer a todos os amigos que têm comentado ou mandado email.
    Alguns estão a queixarem-se que a letra é pequena demais e que não ouven a música que acompanha o artigo. Quem me dá "som de retorno?"
    Agradeço à sonhadora as músicas prometidas.
    Tmara, como é que conheceste a lenda?
    Bom fim de semana.

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  8. ola ze.
    fizeste bem em tirar este post do movimentum e coloca-lo novamente aqui. é demasiado bonito para ficar esquecido.

    abraço da leonoreta

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  9. Não conheço Timor, mas acredito que seja um paraíso...
    Um beijo.
    RosaTB

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