domingo, 27 de novembro de 2005

30º Aniversário da Declaração Unilateral da Independência de Timor Leste


Trigésimo Aniversário da independência de Timor Leste

Timor-leste viveu sob o regime colonial português desde 1514 até 1974.

Como consequência da Revolução do 25 de Abril de 1974, do fim das guerras pela autodeterminação dos países africanos sob domínio português e das negociações que daí advieram, um vento de liberdade começou a soprar em todos os territórios que fizeram parte do Império Colonial Português.

A partir de Abril 74 formaram-se os primeiros partidos políticos timorenses:
UDT – União Democrática Timorense – que defendia, primeiro, “uma autonomia progressiva sob a bandeira das quinas” e, mais tarde, aceitou a ideia da independência a curto prazo;

ASDT – Associação Social Democrática Timorense que veio dar origem à FRETILIN (Frente Revolucionária de Timor Leste Independente) formada por jovens que estudaram em Portugal e integrava as camadas jovens da população urbana, de formação mais laica e menos tradicional mas que, tal como a UDT, aceitava a ideia de independência;

AITI – Associação para a Integração de Timor na Indonésia – mais tarde APODETI, que apontava a integração de Timor na Indonésia.

A instabilidade revolucionária que se veio a desenvolver em Portugal reflectiu-se em Timor, agudizando as rivalidades entre os diferentes partidos recém criados e a luta pelo poder.

Almeida Santos, no regresso de uma visita que fizera a Timor, afirmou que a UDT era o “partido esmagador da maioria” e “que a maioria dos timorenses pretendia manter a ligação a Portugal”.

A UDT e a FRETILIN fizeram um pacto contra o que consideravam ser o maior perigo: a anexação de Timor pela Indonésia.

Rapidamente esta frágil coligação desfez-se e a luta pelo poder acentuou-se.

Em 11 de Agosto de 1975 a UDT dá um golpe de estado e exigiu ao governador (formado por um alto comissário nomeado pelo governo da república cujo mandado terminaria em Outubro de 1978, após a eleição de uma Assembleia que definiria o estatuto do território) a expulsão dos elementos da FRETILIM.

Deu-se, então, início à guerra civil.

O governo da república e o seu estado-maior fogem para a ilha de Ataúro.

As forças da FRETILIN obrigam as forças da UDT a recuarem até à fronteira que só poderam atravessar depois de se terem comprometido a aceitar a anexação de Timor pela indonésia. Desarmadas, foram substituídas por soldados indonésios que retomaram a luta contra a FRETILIN.

Os dirigentes da UDT, APODETI, KOTA e do PARTIDO TRABALHISTA foram forçados por Jacarta a formarem o MAC – Movimento Anti Comunista e a lutar pela integração de Timor Leste na Indonésia. (Outubro de 1975).

A FRETILIN instala-se em Díli e forma um governo paralelo ao do governador português.

Em 28 de Novembro de 1975, Xavier do Amaral, o primeiro presidente da República de Timor – Leste, lê a Declaração Unilateral de Independência.

Esta declaração unilateral foi reconhecida por alguns países, entre os quais Moçambique, Guiné-Bissau, Angola, Cabo Verde e S. Tomé e Príncipe.

Alegando a existência de uma ameaça comunista, o ditador indonésio Suharto decide invadir Timor-Leste e transformá-lo na sua 27ª província.

A 7 de Dezembro de 1975 (nove dias depois da proclamação da independência), com o beneplácito da administração norte-americana de Gerald Ford e do seu secretário de estado Kissinger, a Indonésia invadiu o território de Timor Leste e impôs uma brutal e sangrenta ocupação que vigorou até 1999.

(...)

Voltaremos aqui a 7 de Dezembro...

________________________

Escolhi, do CD “20 Years of Resistence to Genocide in East Timor” a faixa 19, “Em Português vos Amamos”.

Cantam:

Bonga – Angola
Costa Neto – Moçambique
Estevão Jipson – Guiné Bissau
Anabela – Portugal
Tima Zonga – Brasil
Znaid Chantre – Cabo Verde
Gilberto Gil, Umbelina, Kalu (S. Tomé e Príncipe)

__________________________________

Desta forma saúdo e recordo a proclamação da Independência de Timor, há 30 anos atrás.

Viva Timor-Leste!
Viva Timor Lorosa’e!

José Gomes
27 Nov. 05

11 comentários:

  1. Caro amigo,
    esta data é de facto importante para todos nós que um dia acreditámos que o mundo reconheceria envergonhado a República Democrática de Timor-Leste livre e independente.
    Assim aconteceu.
    Obrigado por recordar sempre Timor-Leste.
    Bjs,
    AAS

    ResponderEliminar
  2. Mais um bom post de História e a não deixar morrer esta terra, como é Timor. beijos

    ResponderEliminar
  3. Maria mamede28/11/05 19:47

    Olá Zé ! Embora com algum atraso, aqui estou, solidária também na alegria da comemoraçãoa dar-te o meu abraço ( e à Milu, principalmente) e parabéns pela beleza que aprendeste a dar às tuas postagens.

    Um beijo irmão da
    Maria Mamede

    ResponderEliminar
  4. Mesmo muto informativo, Zé! E lindas fotos e música! :) Espero que tudo esteja bem por aí! Abraço e beijo à Sónia e Milú.

    ResponderEliminar
  5. ola ze. agora ja sabes o que me aconteceu. mas ja passou tudo. o teu post está magnifico como sempre. bonitas homenagens a terra da milu. da-lhe um beijinho meu. um abraço para ti.

    ResponderEliminar
  6. ola ze. li o teu comentario no meu ultimo post e juro que nao percebi nada. provavelmente devias estar a referi-te ao anterior mas olha que eu nao falei em formatar discos. favoritos e emails. eu disse que o blog tinha desaparecido. desaparecido ze.acho que nao les o que eu escrevo.

    abraço da leonoreta

    ResponderEliminar
  7. vim até aqui por curiosidade e fiquei sensibilizada com o que li, cada post teu é excelente, com tanta informação que me senti mais rica
    escreves Timor com uma grande sensibilidade

    vivi ausente muitos desses momentos

    beijinhos

    lena

    ResponderEliminar
  8. Lena, para que nunca esteve es Timor, vivo demais esse país.
    Leonor,não percebi as duas fotos. Compreendi perfeitamente o que te aconteceu, referi-me mais ao post anterior e o resto foi um desabafo "à Zé Gomes"!
    Embora não comente com a regularidade que me era habitual, sempre te li e continuarei a ler, mesmo que já não escrevas artigos com aquele "timing" que nos habituaste. Mas compreendo. As viagens são terríveis e as saudades muitas.
    Um beijo.

    ResponderEliminar
  9. Leonor, dei ok quando era para continuar...
    Gosto mais da fotografia anterior... fazes-me lembrar mais a Leonor que encontrei no Encontro de Blogs do Fernendo Bizasso... e estás mais bonita!

    Para a Sonhadora,agradeço o comentário e quero dizer que o artigo que tenho preparado para o dia 7 não vai sair como está. É grande e fere muita gente à minha volta. É relembrar feridas que quero que cicatrizem naqueles que me estão mais próximos (tu sabes quem). Não é uma data para esquecer mas para meditar, não é uma data para dividir mas, principalmente agora, para UNIR! Mas nunca pactuar com assassinos e traidores. Vamos lá ver o que conseguirei fazer.

    Para a Wind, Mamede e M.P. obrigado, como sempre pelas vossas palavras.

    Aquele abraço grande.

    ResponderEliminar
  10. Ainda sou eu...

    Para aqueles que não estão a ouvir automaticamente a música que inseri no blog (o mesmo para o Movimentum e Movimentum 2) devem clicar no ícon a "minha música" no início do blog, do lado direito.

    Para a Madrinha,
    Isto só começou a acontecer depois de ter formatado o disco. Fiz alguma coisa que não devia?

    ResponderEliminar