sábado, 29 de outubro de 2005

América... país de contrastes - Parte 5

VII – Em Nova Iorque
Rapidamente chegamos ao hotel pois a Sónia já conhecia os meandros. A primeira desilusão foi a reserva do hotel que se tinha feito e que não apareceu. Mas mesmo assim arranjaram-nos um quarto… só que se tinham esquecido de fazer as camas e tratar dele!

À terceira tentativa deram-nos um quarto minimamente confortável, à meia-luz (havia falta de lâmpadas ou estas estavam fundidas!), com uma televisão que nem dava pio, mas estávamos cansados demais para reparar nestes pormenores…
Depois de descansarmos um pouco voltamos a sair para dar uma volta pelas redondezas, para situar os locais a visitar no dia seguinte.

Senti-me esmagado pela altura dos arranha-céus, pelos milhares de watts de luz que se transformavam em figuras e mensagens que ganhavam vida, em gigantescos anúncios luminosos, colocados prédio sim, prédio sim.

Fiquei aturdido pela correria dos transeuntes que se deslocavam sem direcção definida, com a amálgama de cores dos táxis amarelos, dos carros particulares e das limousines que atravessavam as largas avenidas ou estavam estacionadas às portas dos hotéis ou das empresas.

Esta era a Nova Iorque que me diziam ser a cidade mais cosmopolita do mundo, onde se cruzavam todas as raças e todos os credos. Mas por mais que procurasse não vi um autóctone bem definido! Passaram por mim rostos dos mais variados tons de pele, chineses, japoneses, indianos, judeus de fato negro e chapéus característicos... e muitas pessoas de ar cansado, triste e olhar vago!

Brancos, tipo europeu, vi muito poucos!

Este belo exemplar de cavalo transportava às costas um polícia...

A polícia estava em toda a parte: no ar, em helicópteros; em terra em carros patrulha, a cavalo, a pé, fardados ou com coletes amarelos; havia ainda aqueles que se passeavam pelos passeios com cães de ar feroz pela trela, farejando tudo à sua volta.

Nas poucas lojas que visitei, restaurantes, cafés (ou equivalentes a isso), locais públicos, empresas, museus e até no Metro reparei que as pessoas que trabalhavam eram de cor ou mulheres…

Regressamos ao hotel.

Um “ping-ping” constante no quarto de banho alertou-nos que as torneiras da banheira não vedavam. Tentamos fechar melhor a porta mas esta estava empenada. Cansados como estávamos, acredito, até foi música para os nossos ouvidos. “No dia seguinte faríamos a reclamação” – dissemos um ao outro – “Agora vamos dormir, que estou perdido de sono!”

Foi o que fizemos no dia seguinte, mesmo antes de ir tomar o pequeno-almoço: prometeram – mais uma vez! - que quando chegássemos estaria tudo resolvido.


Em primeiro plano, amigos da Sónia e companheiros de Camp Anne.

Fomos ver os bastidores do Rei Leão – The Lion King - (no “Amesterdam Theatre” onde está em exibição esta peça) e durante um bom par de horas uma simpática senhora explicou (em inglês, claro!!!) como era feito teatralmente o espectáculo, como se movimentavam os actores, como faziam os jogos dos cenários, mostrou as máscaras que os actores usavam, e descreveu a história daquele teatro desde a sua inauguração até aos dias de hoje.

Esta foto foi autorizada. A Sónia com a máscara da Leoa Nala.

A Sónia começou a fotografar e foi logo repreendido por uma “simpática mulatinha” que a impediu de tirar fotos!!! Eu, armado em parvo e convencido do meu poder de persuasão, ainda lhe pedi – entre gestos e esgares, numa linguagem que julguei universal! - para tirar “uma” só foto!
Pois!!! Fia-te na virgem e não corras!!!
Não me ligou p-a-t-a-v-i-n-a!


Demos um salto ao Museu de Cera de Madame Toussauds onde posamos com quase todos os famosos que lá encontramos.

Claro, não podia deixar de ser fotografado ao lado de um grande chefe índio, vestido a rigor e com olhos muito tristes e expressão carregada. Ainda me disse que aquela história da venda de terras aos brancos em 1854, no tratado assinado pelo chefe Seatle e o presidente dos EUA Franklin Pierce, era uma grande espinha que lhe estava atravancada na garganta...

... e foi sobre isso que conversei com a Whoopi Goldberg... mas em linguagem gestual!

De regresso ao hotel verificámos que tudo estava como antes: nem sequer as camas tinham sido feitas quanto mais arranjar as torneiras do quarto de banho! Agora, quando se abria a porta, o quarto de banho parecia mesmo um salão de sauna!!!

Mais uma vez a Sónia alertou a recepção para a situação caótica em que estava o quarto. Registaram a ocorrência e disseram que iam já tratar do assunto. Quando regressássemos tudo estaria arranjado.

Metemo-nos no Metro desta vez para visitar o Museu de História Natural. A meio desistimos dos projectos de visita a outros museus, especialmente o dos Índios Americanos, pois estávamos a ficar sem tempo.

Manadas (?!!!) de bisontes... apenas no Museu...


Já cansados, ao fim de algumas horas, resolvemos voltar ao calor do Metro e deste para o hotel para descansar um pouco antes de irmos ao teatro ver “O Fantasma da Ópera”.

A Sónia recebeu um amigo e eu tratei de descobrir um banco que me trocasse euros por dólares para tentar satisfazer o “vício” da Net. Dólares arranjar, arranjei mas, em todos os pontos da Net que encontrei, não me quizeram fazer o troco para ir matar o vício!

A Sónia regressou e, depois de um rápido jantar, fomos ver o “Fantasma da Ópera”… num teatro lindo, quase cheio de pessoas interessadas na peça. As arrumadoras corriam numa azáfama a distribuir as pessoas pelos lugares… e o espectáculo começou!

Quem, como eu, já vira a ópera no cinema sente que esta, mesmo ao vivo, perde toda a espectacularidade que o filme consegue transmitir. Ah! Além disso, aqui não tinham legendas!...

De regresso ao hotel voltámos ao mesmo filme: nem as camas estavam feitas nem as torneiras do quarto de banho arranjadas!

Desta vez passamo-nos!...
Mudamos de quarto ainda mais duas vezes, até acertar com um que tinha uma luz decente, as tomadas nos devidos lugares, a água não pingava no quarto de banho e, pasme-se!, uma televisão que funcionava!!! (até a tomada serviu para carregarmos os telemóveis!!!).

Havia que recuperar forças. O dia seguinte adivinhava-se muito longo e duro!


(continua)



-----------------
Com canções como esta mitiguei saudades que tinha do meu País de sonho...

Francisco Fanhais

Cantata da Paz
Álbum: “Dedicatória”
4:38 '
----------------------------


12 comentários:

  1. depois de te ler não duvido k a tua conversa com o Chefe ìndio (como se chamava?) tenha sido a + ffrutuosa...Mas olha, tenho suadades d enova Iorque.Só lá fui uma vez há décadas atrás...creio k numa outra vida. Bom f.s Bjocas p/ ti e Sónia + restantes

    ResponderEliminar
  2. Maria Mamede29/10/05 11:57

    Olá Zé!
    Muito bem contado, belissimas fotografias, parabéns.
    O Chefe Seattle e a Goldberg são muito fotogénicos. E pasme-se, tu também.

    Muito obgd. mais uma vez pelas aventuras que nos contas tão bem
    Beijos.
    Maria Mamede

    ResponderEliminar
  3. Sylvia Cohin29/10/05 12:31

    Conseguiste acordar minha memória através da sensação de "não ser ninguém", durante numa viagem semelhante! Muito me alegra quando numa deliciosa cidade chamada Porto,volta e meia vem alguém e me lembra que "sou alguém"... ,o)) heheheheheeee Beijos, Sylvia

    ResponderEliminar
  4. Palavras para quê? Mais uma vez descreveste muito bem a América que nos é conhecida. Esta sim. Beijos

    ResponderEliminar
  5. Mais, mais!! Conte mais! Conte todos os pormenores!
    Ufa... até estou cansada com a incompetência dos funcionários do hotel. Arrrrghhhh que gente!
    Abraço desde Oeiras e quase qause de partida para Timor-Leste,
    AAS

    ResponderEliminar
  6. (suspiro)
    e fico à espera da continuação. e devias publicar o nome do hotel...

    ResponderEliminar


  7. Descreves as coisas de tal maneira que até parece que andei convosco! A reportagem fotográfca está óptima!
    Quanto à torneira, isso até parece uma história à portuguesa! Eu cá tinha-me passado!
    Fico à espera de mais!

    Um abraço

    ResponderEliminar
  8. Pronto, meus amigos.
    Vou dar a minha saga como encerrada com o capítulo a sair hoje.
    Agradeço os comentários e as visitas.
    Para a "sonhadora" o nosso elo de ligação com Timor mantêm-se... que raiva tenho de não te poder acompanhar!!!!
    Não direi o nome do hotel, pois ele não merece publicidade... mas que pagamos bem caro, ai isso pagamos!!!!
    Vamos lá pôr no ar a última parte desta visita à América...

    ResponderEliminar
  9. ola ze.
    grandes fotos. grande reportagem. grandes reflexoes.
    (brancos puros tipo europeu, se calhar efiados na nasa, rs
    nao sei, estou a especular, rs)

    abraço da leonoreta

    ResponderEliminar
  10. Porreiro esta descoberta nao imagi
    nava que isto podia existir,fico
    bansado esta gaita do internet està
    bem feito e despois fico bestialmente orgulhoso de ter
    nascido ai.Carlos

    ResponderEliminar