sexta-feira, 23 de setembro de 2005

Até um dia destes...

Hoje, 23 de Setembro, parto para os Estados Unidos...
Vou buscar a Sónia e espero estar cá por este cantinho a partir do dia 1 de Outubro.
Parto pelos cabelos... mas o ir ao encontro da Sónia vai colmatar a separação daqueles que mais gosto!

Já estou com saudades, mesmo antes de partir...

"No Passado, as vastas solidões foram povoadas por cidades poderosas. Hoje delas só restam ruínas e essas mesmas ruínas acabam por se confundir com a Terra eternamente virgem.
Não importa os homens que passam! Basta que o Espírito sopre sobre eles para deixarem de existir!
Então os filhos da Terra tomarão novamente a posse da Terra e os tempos passados tornar-se-ão novos".
(In Sabedoria Ameríndia)

"Preceitos de vida" recolhidos da sabedoria ameríndia e que fazem parte da herança espiritual legada ao mundo moderno pelos índios americanos.

Até...

José Gomes

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INDIA
Gal Costa

sábado, 17 de setembro de 2005

SETEMBRO



Setembro
(para que a Humanidade não esqueça)


CHILE:

11 de Setembro 1973











Os militares chefiados pelo general Pinochet derrubaram o Governo de Unidade Nacional de Salvador Allende. Este morreu durante o golpe, na defesa do palácio presidencial. Após a sua morte, o regime democrático foi extinto e o país sofreu um terrível banho de sangue. A ditadura de Pinochet durou 16 longos anos.

(Salvador Allende e Pablo Neruda)


17 de Setembro 1973


(Victor Jara)



Na manhã do dia 11 de Setembro de 1973 Victor Jara, tendo tido conhecimento do golpe militar, dirigiu-se para a Universidade Técnica para se juntar aos estudantes e professores que iriam resistir ao golpe de Pinochet.
O Campus foi cercado por tropas do exército. A madrugada foi de terror, ouviam-se tiros e explosões por todos os lados. Os que tentaram escapar do cerco foram abatidos. Victor Jara procurou elevar a moral dos sitiados usando a sua melhor arma: o canto!
Na manhã do dia 12 de Setembro os tanques atacaram a universidade. Depois de uma luta desigual, os resistentes renderem-se. Reunidos no pátio, foram forçados a se deitarem no chão com as mãos na cabeça e começaram a ser espancados.
Foram levados para o Estádio do Chile, transformado em campo de concentração.
Victor Jara foi reconhecido por um oficial que lhe disse:
- Você é aquele maldito cantor, não é?
Antes que pudesse responder foi barbaramente agredido e conduzido para um local do estádio onde estavam os militantes mais “perigosos”.
Foi novamente espancado e torturado. Quando o levaram para as arquibancadas o seu rosto estava todo ensanguentado e mal podia andar ou falar.
Muitos dos prisioneiros tinham surtos de loucura, tentavam escapar e eram executados. Outros, simplesmente, suicidavam-se!
No dia 14 de Setembro, os prisioneiros começaram a ser transferidos. Victor pressentindo que aqueles seriam os seus últimos momentos, pediu papel e caneta e naquele inferno escreveu o seu derradeiro poema:

Somos cinco mil
nesta parte da cidade.
Somos cinco mil.
Quantos seremos no total
nas cidades e em todo o país?
Somente aqui, dez mil mãos que semeiam
e fazem andar as fábricas.
Quanta humanidade
com fome, frio, pânico, dor,
pressão moral, terror e loucura!...
Que espanto causa o rosto do fascismo!...
É este o mundo que criaste, meu Deus?
Foi para isto os teus sete dias de assombro e de trabalho?

Mal acabou de escrever vieram buscá-lo. Os seus companheiros conseguiram ainda salvar este derradeiro poema de Victor Jara.
Foi novamente espancado e um oficial gritou-lhe várias vezes:
- Canta agora, se puderes, seu filho da puta!
Victor Jara, quase já sem vida, reuniu as suas últimas forças e cantou a estrofe do hino da Unidade Popular: "Venceremos!".
Foi brutalmente agredido, quebraram-lhe as mãos e arrastaram-no para os portões do Estádio.
Esta foi a última vez que o viram.

Dois dias depois, seis corpos desfigurados e baleados foram encontrados na periferia da cidade.

Um deles, perfurado por 44 balas e múltiplas fracturas dos punhos, era o do professor, compositor, cantor e director de teatro Victor Jara.


23 de Setembro 1973








“... Deixa que o vento corra, coroado de espuma, que me chame e me busque galopando na sombra, enquanto eu, mergulhado nos teus imensos olhos, nesta noite imensa, descansarei, meu amor..."

Pablo Neruda



Pablo Neruda, foi prémio Nobel de Literatura em 1971.
Foi um romântico e um revolucionário que cantou as angústias da Espanha de 1936 e a condição dos povos latino-americanos e seus movimentos libertários.
Foi cônsul em Espanha e no México de 1934 a 1938. Desenvolveu intensa vida pública entre 1921 e 1940, tendo escrito durante este período várias obras.
Foi indicado para a Presidência da República do Chile em 1969 e veio a renunciar em favor de Salvador Allende.
Participou na campanha deste e, eleito Allende, foi nomeado embaixador do Chile em França.
Outras obras do autor foram lançadas, tendo ganho o prémio Nobel de Literatura em 1971 com o livro “Confesso que vivi".

Morreu a 23 de Setembro de 1973 em Santiago do Chile, doze dias após a queda do Governo de Unidade Popular e da morte de Salvador Allende.



Homenagem ao Povo do Chile

Foram não sei quantos mil
operários trabalhadores
mulheres ardinas pedreiros
jovens poetas cantores
camponeses e mineiros
foram não sei quantos mil
que tombaram pelo Chile
morrendo de corpo inteiro.
(...)

José Carlos Ary dos Santos
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"Canto Libre"
Canta Victor Jara
4:54
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José Gomes

domingo, 11 de setembro de 2005

Lembrando Victor Jara...

11 de Setembro de 1973

Lembrando Victor Jara


CANTO PARA AS MÃOS PARTIDAS DE VICTOR JARA
(Pedro Tierra)

Quisera chorar teus dedos dilacerados:
raízes do meu canto subterrâneo.

Quisera chamar-te “Hermano”
como a infância dos rios
lava o rosto da terra,

mas minha boca sangrava
um silêncio de canções amordaçadas.

De tuas mãos se dirá um dia:
geravam pássaros de sangue
como as primaveras da lua.

Tuas mãos,
tristes descendentes das canções araucanas,
tuas mãos mortas,
casa de canções decepadas,
tuas mãos rotas,
últimas filhas do vento,

guitarras enterradas sem canto,
sementes de fuzis,
seara de sangue.

Quisera entregar
minhas mãos inúteis
ao cepo de teus carrascos.


11 de Setembro de 1973 - Lembrando Victor Jara

Victor Jara, cantor chileno foi morto por militares após o golpe militar de Pinochet, no Chile, em 11 de Setembro de 1973.
Este golpe de estado que derrubou o governo de Salvador Allende, democraticamente eleito, fez mais de 15 mil mortos, 30 mil prisões e centenas de torturados.
Victor Jara foi preso e levado para o estádio de futebol de Santiago, que foi utilizado como campo de concentração.
Victor Jara não obedeceu à ordem de um militar para que parasse de tocar e cantar para a multidão presa no estádio. Deceparam-lhe as mãos mas mesmo assim, entre gritos de dor continuou a cantar canções de sua autoria até que um tiro calou Victor Jara, ceifando a vida de um grande talento.

Victor Jara Martínez

Nasceu em 28 de Setembro de 1932 em La Quinquina, no Chile.
Desde muito novo sentiu inclinação para a música, talvez influenciado por sua mãe que cantava e tocava piano. Com a morte desta quando tinha 15 anos, desamparado e cheio de saudades, procurou refúgio no Seminário Redentorista de S. Bernardo e seguiu o que ele pensou ser a sua vocação sacerdotal.
Ao fim de dois anos de Seminário reconheceu que aquele não era o seu caminho e desistiu.

A Universidade e Violeta Parra

Em 1957 matriculou-se na Escola de Teatro da Universidade do Chile onde estudou Teatro.
Aqui conheceu Violeta Parra que gostou da sua voz e o entusiasmou a cantar não só composições suas mas também a criar canções com o seu (de Victor Jara) cunho pessoal.
Na década de 60 compôs e a cantou. Foi director teatral, investigador de folclore e de instrumentos indígenas, actor, dramaturgo e compositor.
Em 1960, foi director teatral. A partir de 1963 foi membro da direcção do Instituto de Teatro da Universidade do Chile e professor da Escola de Teatro da mesma Universidade.
Foi um dos fundadores do movimento da Nova Canção Chilena,
Em 1970 participou activamente na campanha presidencial de Salvador Allende, realizando recitais por todo o país.
Depois da vitória de Salvador Allende nas eleições presidenciais de 1970, Victor Jara assumiu um papel preponderante no desenvolvimento cultural e político do país. Foi embaixador cultural do governo de Unidade Popular, desde 1971 até à sua morte.

A sua morte

No dia 11 de Setembro de 1973, durante o golpe militar, Victor Jara foi detido juntamente com um grupo de professores e alunos que se encontravam na Universidade Técnica do Estado. Foi transportado para o Estádio do Chile.
Em 1990 a Comissão Verdade e Reconciliação concluiu que Victor Jara foi assassinado em 17 de Setembro de 1973 no Estádio do Chile.
Os seus restos mortais descansam no Cemitério Geral.


Os últimos dias de Salvador Allende e do Governo de Unidade Popular

O presidente do Chile, Salvador Allende, declarou logo após sua eleição:

A história ensinou-nos que os grupos ultra-revolucionários não desistem do poder e lutam para conquistá-lo”.

Com o custo de sua própria vida, a história viria a provar isto em 11 de Setembro de 1973.

4 de Setembro de 1972:

Allende denunciou, em vão, nas Nações Unidas, as tentativas norte-americanas de desestabilização do Chile. A situação económica tornou-se catastrófica. O povo protestou em manifestações turbulentas. A organização da extrema-direita "País e Liberdade" tornou-se violenta. As mulheres protestaram contra a penúria e falta de alimentos básicos. Os camionistas organizaram um boicote na estrada, bloqueando o tráfego com cinquenta mil camiões. A economia entrou em rotura...

11 de Setembro de 1973:

Apoiada e possivelmente subornada pela CIA, a maioria do exército e da polícia sublevou-se.
O governo de Allende foi derrubado.
Cercados no palácio presidencial e bombardeados pela Força Aérea, Allende e alguns colaboradores leais resistiram até ao fim de armas na mão.
Foram todos mortos em circunstâncias até hoje desconhecidas.
O exército chileno - liderado por Augusto Pinochet - que naquele dia derrubou Allende, não teve qualquer humanidade com os militantes do Partido de Unidade Popular.
A repressão militar foi vingativa e intolerante.
Mais de cem mil pessoas foram presas e torturadas.
Trinta mil foram assassinadas.
Entre elas Victor Jara que hoje recordo, aqui, neste dia 11 de Setembro.

Um homem que tinha como arma a sua voz e a sua viola.

Um homem que queria para todos O DIREITO DE VIVER EM PAZ.


A ditadura sangrenta de Pinochet durou ainda mais de 16 longos anos.



José Gomes


(Agradeço à Fundação Victor Jara os elementos facultados).


Tema musical:

El Derecho de Vivir en Paz

Poema, música e voz: Victor Jara

4:32 minutos

terça-feira, 6 de setembro de 2005

A Filosofia dos Índios Americanos

(Encontro de Saturno, Vénus e Mercúrio - Foto da Nasa)


A Filosofia dos Índios americanos

“No Passado, as vastas solidões foram muitas vezes povoadas por cidades poderosas.
Hoje delas só restam ruínas e essas ruínas acabam mesmo por se confundir com a terra eternamente virgem.
Não importa os homens que passam. Basta o Espírito soprar sobre eles para deixarem de existir!
Então os filhos da Terra tomarão novamente a posse da Terra e os tempos passados tornar-se-ão novos”

In “Sabedoria Ameríndia”

(Toda a filosofia dos Índios da América do Norte baseava-se na sua íntima ligação à Natureza e ao Cosmos)


Carta do Chefe Seattle

"O que ocorrer com a terra,
recairá sobre os filhos da terra.
Há uma ligação em tudo."

Este documento - dos mais belos e profundos pronunciamentos já feitos a respeito da defesa do meio ambiente - foi intensamente divulgado pela ONU (Organização das Nações Unidas) e distribuído pelas escolas de muitos países.
É uma carta escrita, em 1854, pelo chefe Seatle ao presidente dos EUA, Franklin Pierce, quando este propôs comprar grande parte das terras de sua tribo, oferecendo-lhe, em contrapartida, a concessão de uma outra "reserva".

(...) O que ocorrer com a terra recairá sobre os filhos da terra.
O homem não tramou o tecido da vida; ele é simplesmente um de seus fios. Tudo o que fizer ao tecido, fará a si mesmo.Nem mesmo o homem branco, cujo Deus passeia e fala com ele de amigo para amigo, fica isento do destino comum. É possível que sejamos irmãos, apesar de tudo. Veremos isso.
De uma coisa estamos certos e o homem branco poderá vir a descobrir um dia: o nosso Deus é o mesmo Deus. Ele é o Deus do homem, e Sua compaixão é igual para o homem vermelho e para o homem branco.
A terra é-lhe preciosa, e feri-la é desprezar o seu criador. Os brancos também passarão; talvez mais cedo que todas as tribos. Contaminem as suas camas e uma noite morrerão afogados nos vossos próprios detritos.
Mas quando da sua desaparição, vocês brilharão intensamente, iluminados pela força do Deus que os trouxe a esta terra e que por alguma razão especial lhes deu o domínio sobre o homem vermelho.
Esse destino é um mistério para nós, pois não compreendemos porque todos os búfalos tenham de ser exterminados, os cavalos selvagens tenham de ser todos domados, os recantos secretos da floresta densa tenham de ser impregnados com o cheiro de muitos homens, e a visão dos morros obstruídos por fios que falam.
Onde está o arvoredo?
Destruído!
Onde está a águia?
Desapareceu!

É o final da vida e o início da sobrevivência.

José Gomes
Nota:
Esqueci-me...........
Tema: "Fascinação"
Voz: A da inesquecível Elis Regina
Tempo: 3:02