segunda-feira, 8 de agosto de 2005

PARA QUE A HISTÓRIA NÃO ESQUEÇA




Para que a História nunca esqueça

Passaram-se apenas 60 anos...

No dia 9 de Agosto de 1945 (a cidade alvo era Kokura, mas devida à intensa barragem das baterias antiaéreas, o piloto do B-29 desviou-se do seu objectivo e foi deixar cair a bomba em Nagasaki que era um alvo secundário) às 11,02 horas da manhã, a cidade de Nagasaki foi varrida do mapa por uma bomba de plutónio, detonada a 503 metros acima da cidade.

74.000 mortos foi o resultado imediato da explosão e dos vinte mil graus centígrados desenvolvidos pela bomba. Muitos dos 40.000 feridos foram aumentar o número de mortos durante o decorrer dos anos, vitimados pelas queimaduras, feridas e pela exposição às radiações.



Nagasaki – 9 de Agosto de 1945 – Palavras para justificar o quê?...

Hoje ainda ouço o grito lancinante das crianças, das mulheres, dos animais, das plantas, do próprio vento... foi há 60 anos que numa bela manhã de sol, a vida normal de todos os dias foi súbita e covardemente interrompida em Nagasaki por um novo sol que brilhou, de repente, com mais intensidade que mil sóis, reduzindo esta cidade nipónica a um deserto de metal e pele derretida.

Os dedos queimavam com chamas azuis, estavam reduzidos a um terço
do seu tamanho natural e retorcidos. Um líquido negro escorria da mão e caía no solo” - Akiko Takahura, testemunha ocular.

Ontem como hoje, desde que o homem se conhece como tal, a guerra sempre serviu para os seus ideais megalómanos de expansão territorial, de libertação dos seus instintos mais primários para dominar os seus semelhantes naturalmente mais fracos, conquistar a riqueza e o poder... todos os meios justificam estes fins! — sejam eles de cariz religioso, humanitário ou, simplesmente, intimidatório!...

Para completar este apelo à nossa memória colectiva, deixo-vos este registo:

1 – A construção e desenvolvimento da bomba atómica, denominada “Projecto Manhattan” (1942 – 1946), teve lugar em Los Álamos no deserto do Novo México; a bomba que foi lançada sobre Hiroxima era de Urânio-235 e a de Nagasaki de Plutónio;

2 – Ao fazerem a análise ao teste efectuado no deserto de Los Alamos e ao aperceberem-se das consequências da arma que tinham criado, os cientistas do “Projecto Manhattan” fizeram uma petição para anular a utilização destas bombas no Japão. Esta veio a “desaparecer” na gaveta do general Leslie Groves, supervisor do referido “Projecto”, em conivência com o secretário de estado James Byrnes;

3 – O presidente Truman assinou a ordem de lançamento.

4 - Na altura da explosão encontravam-se em Hiroshima 24 americanos. Apenas cinco sobreviveram, mas por pouco tempo:
- Três foram linchados;
- Os outros dois morreram onze dias depois, vítimas da radiação...

Para que a História não esqueça:

Números totais de mortos e feridos causados pelas duas bombas atómicas que foram lançadas sem aviso prévio sobre Hiroshima e em Nagasaki no mês de Agosto de 1945:

Lembranças de Hiroshima e Nagasaki
David Krieger, August 1, 2003

Entre os críticos do uso das armas nucleares em Hiroshima e Nagasaki estão líderes militares americanos. Numa entrevista após a guerra o General Eisenhower, que mais tarde viria a ser presidente dos EUA, disse a um jornalista:

- (...) os japoneses estavam prontos para se renderem e não era necessário atacá-los com aquela coisa terrível.

O Almirante William D. Leahy, chefe do grupo de trabalho de Truman, escreveu:

- Na minha opinião o uso desta arma bárbara em Hiroshima e Nagasaki não ajudou em nada na nossa guerra contra o Japão. Os japoneses já estavam vencidos e prontos a se renderem ... Sinto que sendo os primeiros a usá-la, nós adoptamos o mesmo código de ética dos bárbaros na Idade Média (...) As guerras não podem ser ganhas destruindo mulheres e crianças...

Um texto de um repórter dos EUA, escrito em Setembro de 1945, que relatava o ataque a Nagasaki e os efeitos nucleares, foi censurado.

As primeiras reportagens norte-americanas sobre a devastação causada pela bomba atómica em Nagasaki, no Japão, só foram enfim publicadas quase 60 anos depois da data em que foram escritas.

Em Setembro de 1945, algumas semanas depois do final da Segunda Guerra, George Weller, correspondente do "Chicago Daily News" chegou clandestinamente a Nagasaki, cidade industrial a cerca de 1.000 km a sudoeste de Tóquio, antes das tropas de ocupação dos EUA. Escreveu dezenas de reportagens que referiam os efeitos da bomba atómica lançada contra a cidade em 9 de Agosto.

Weller enviou as reportagens ao serviço de censura do comando do general MacArthur, em Tóquio, como as regras militares exigiam. Os textos foram todos censurados! Durante quase 60 anos, os textos e fotos que fez em Nagasaki desapareceram, até que o filho do jornalista, encontrou-os no apartamento do pai, em Itália.

Weller chegou a Nagasaki, em 6 de Setembro e a bomba atómica "parecia-lhe uma arma tremenda” tal a destruição que encontrou.

Os artigos que escreveu em 8 e 9 de Setembro de 1945 relatam os primeiros dias da sua estadia de cerca de três semanas em Nagasaki. São um relato cru sobre a destruição que viu, a confusão e a dor que estavam a passar os sobreviventes que viam os vizinhos e familiares a morrerem devido às feridas provocadas pela explosão e à exposição às radiações.

- Ninguém aqui em Nagasaki conseguiu demonstrar, até agora, que a bomba diferisse de qualquer outra, excepto pelo clarão mais intenso e pelo efeito de choque mais poderoso. - disse no seu relato.

Passando-se por coronel do Exército americano, Weller conseguiu um guia oficial, um motorista e um local onde se hospedar. Começou então a verificar os efeitos anormais da bomba. Nun doa artigos escreveu:

- [Há] diversas crianças, algumas queimadas e outras sem queimaduras, mas com os cabelos a cairem aos molhos. Alguns adultos deitados em catres, mostram dor e gemem baixinho. Uma mulher que cuida do marido tem os olhos marejados de lágrimas. É comovente.

- Isso [a censura dos seus artigos] foi motivo de enorme frustração para ele porque acreditava que essa fora uma das suas maiores reportagens. - escreveu o seu filho - O meu pai ficou furioso com os censores por terem bloqueado os seus artigos, que não só detalhavam a destruição em Nagasaki como incluíam relatos de sobreviventes que escaparam à bomba, enterrados em trincheiras. Tudo isso foi ocultado ao povo dos EUA...

Dias 6 e 9 de Agosto – dias em que o Japão chora e lembra os seus mortos
vitimados por uma energia que deveria estar ao serviço da Humanidade.
6 e 9 de Agosto – dias em que toda a Humanidade deve recordar para que tais actos nunca mais se voltem a repetir.



O Homem para sobreviver como espécie teve de aprender a caminhar; o Homem se quiser sobreviver como espécie terá de aprender a compreender e, sobretudo, a Amar o Mundo e todos os Seres que nele vivem.

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Versão musical: "Rosa de Hiroshima"
- poema de Vinicius de Moraes
- interpretação: Ney Matogrosso e Secos & Molhados

José Gomes
8 de Agosto de 2005

12 comentários:

  1. Infelizmente a História vê-se obrigada a esquecer, tais têm sido os atentados horrendos posteriores a esse...

    De qualquer modo queria louvar pela informação que aqui encontrei. Fiquei a conhecer muito melhor esta página da hostória mundial.

    Parabéns pela dedicação e pelos frutos do trabalho!

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  2. I cannot read your language but your pictures speak a thousand words. Keep up the good work and have a nice day!!

    Dwayne Clark

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  3. Com respeito e amizade, endosso as colocações apresentadas neste teu sítio.
    Um abraço fraterno.

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  4. ahhhhhhhhhh! zé!
    mas a história esquece sim. nao digo que se cometam os mesmos erros mas erros são sempre cometidos.
    mais um post formidável a que nos já habituaste.
    abraço da leonor

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  5. Confesso que não li todo o post. estou no emprego. li em parte.

    Obrigada por ele.

    Madalena

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  6. Mais um grande post! Não esquecer nunca! beijos e boas férias

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  7. Excepcional este post, Zé.
    Grata por ele, e porque ao partilhá-lo estás a dar a conhecer em pormenor, uma das vergonhas que os Americanos cometeram.

    (Re)lembrar para que não se repita, nunca mais!

    Um abraço terno e saudoso e continuação de boas férias (jinhos para a Milu... ;)

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  8. Excelente artigo, Zé. Calamidades que a memória não apaga como muitas outras posteriores. Bjokas grandes para a Milú e para ti. Boas férias. As saudades já começam a apertar, mas como aqui chove... aproveitem o sol que aí há.

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  9. zé, a morte de alguém, parente ou amigo é sempre uma noticia horrivel para a qual nunca estamos preparados. fizeste bem em colocar no meu sitio o desabafo. penso que o mais triste é estares longe e nao poderes estar presente na ultima homenagem que lhe poderias fazer.
    abraço da leonor

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  10. ze! estiveste 15 dias fora de casa. tudo bem! mas agora que ja chegaste é tempo de post novo.
    abraço da leonor

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  11. Anónimo6/9/06 21:16

    Companheiro, parabéns!
    Que todos pensem, mas pensem, não só com a cabeça, pensem principalmente com o coração!
    E que no mundo continuem a existir pessoas como você, que graças a Deus, não nos deixam esquecer, as atrocidade perpetradas, com as explosões atômicas de Hiroshima e Nagasaki.

    Abraços - Carlão de Valente/ Ba.

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