domingo, 10 de julho de 2005

Vinicius de Moraes



(25 anos depois da sua partida...)

Vinícius de Moraes

Nasceu em19 de Outubro de 1913 no Rio de Janeiro.
Dizia a lenda que naquela tempestuosa madrugada de Outono chegaria às terras da Bossa Nova “O Garoto de Ipanema”.
Escreveu o seu primeiro poema de amor com apenas 9 anos, inspirando-se numa colega da escola.
As mulheres, especialmente os seus amores, foram a fonte da sua inspiração.
Juntamente com o compositor António Carlos Jobim e o cantor João Gilberto, Vinicius tem um papel importante no movimento de renovação da música popular brasileira, a que se deu o nome de "Bossa Nova".
O compositor Tom Jobim musicou a peça de Vinícius “Orfeu da Conceição”.
Desta parceria e mais tarde com João Gilberto, Toquinho, Chico Buarque, entre outros, surgiriam canções que o imortalizaram como "Chega de Saudade", "Insensatez", "Garota de Ipanema", "Samba da Benção"...

Na manhã de 9 de Julho de 1980 Vinícius partiu para o paraíso dos poetas e compositores.

Toquinho e sua mulher Gilda assistiram à sua partida.
No enterro, abraçada a Ellis Regina, Gilda lembrou-se da noite anterior, quando, numa entrevista, perguntaram ao poeta:

“- Você está com medo da morte?
E Vinícius respondeu, com um sorriso:
- Não, meu filho. Eu não estou com medo da morte. Estou é com saudades da vida.


Como poderemos definir Vinícius de Morais?...

“Cálido, humano, reflexivo, com a música e a poesia na alma. Carioca e brasileiro, latino-americano e universal. Poeta de todos. Assim era Vinícius e, como ele, não haverá outro igual”.

Este é um pequeno apontamento com que pretendi homenagear Vinícius de Moraes, Poeta Universal, e que deveria ter saído ontem, 9 de Julho, dia em que se completou 25 anos da sua partida para o Paraíso dos Poetas.
Uma “branca” impediu-me de aceder aos “Chuviscos...”!
Obrigado, madrinha, pela ajuda.

Para ti, Vinícius, “Saravah”, companheiro!

Garota de Ipanema

Olha que coisa mais linda.
Mais cheia de graça
É ela menina
Que vem e que passa
Num doce balanço, a caminho do mar

Moça do corpo dourado
Do Sol de Ipanema
O seu balanço é mais que um poema
É coisa mais linda que eu já vi passar...

Ah, porque estou tão sozinho
Ah, porque tudo é tão triste
Ah, a beleza que existe
A beleza que não é só minha
Que também passa sozinha

Ah, se ela soubesse
Que quando ela passa
O mundo inteirinho se enche de graça
E fica mais lindo
Por causa do amor.

Vinícius Morais – poema
Carlos Jobim - música
Diálogo - Toquinho e Vinícius

José Gomes - 9/07/05

15 comentários:

  1. Obrigado, Alice! E agora?!!!!
    Vou de férias, também!!!
    Um abraço, amiga.

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  2. ola passei por aqui so para dizer boa tarde.
    depois comento com amis calma
    abraço da leonor

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  3. linda homenagem a vinicius Zé. gosto muito de música brasileira, especialmente, esta, a garota de ipanema.
    já agora... apaga os meus comentários que estão a mais neste post.
    abraço da leonor

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  4. Não apago!!!!!!
    Não apago!!!!
    E não apago!!!!
    (língua de fora!!!)
    Tem uma boa semana.

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  5. Bom! tu é que sabes. quanto a mim fica horrível. boa semana de trabalho para ti também

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  6. Bom ver aqui esta homenagem que é justíssima! O Vinicius ja tinha saudades da vida.. e já tinhamos saudades dele..
    O que vale é que fica menos dolorosa essa saudades com tudo o que ele nos deixou!
    um abraço

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  7. Leonor, sinceramente, não sei como se apagam aquelas repetições...
    Vamos lá ver se alguém com mais conhecimentos que eu me dá uma ajuda...
    Não é, madrinha?

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  8. ah! afinal conseguiste tirar... rssssssss
    ai, só dou trabalho.

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  9. Saravah! Bela homenagem ao copositor poeta de todos os tempos.
    Blog brancoepreto=incauta experiência; resultado= perdida nele (lol) Bjokas para ti e Milu

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  10. Para a Leonoretta...
    Que fizeste daquelas fotos lindas que tinhas aqui?!!!
    Nunca mais apago comentários repetidos...
    Isto não se faz!!! (chorar, chateado, etc.)

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  11. sorry! foi sem querer. sorry!
    é provavel que volte a fazer destas novamente. é o meu estilo.
    abraço da leonor

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  12. Gostei da foto... mas estás a olhar o céu? Es´tava de chuva aí por Lisboa? Ou procuravas um arco-iris?
    (Desculpa, mas eu sou marado por essa maravilha da natureza!)
    Abraço.

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  13. "Era ele que erguia casas
    Onde antes só havia chão.
    Como um pássaro sem asas
    Ele subia com as asas
    Que lhe brotavam da mão.
    Mas tudo desconhecia
    De sua grande missão:
    Não sabia por exemplo
    Que a casa de um homem é um templo
    Um templo sem religião
    Como tampouco sabia
    Que a casa que ele fazia
    Sendo sua liberdade
    Era a sua escravidão.



    De fato como podia
    Um operário em construção
    Compreender porque um tijolo
    Valia mais do que um pão?
    Tijolos ele empilhava
    Com pá, cimento e esquadria
    Quanto ao pão, ele comia
    Mas fosse comer tijolo!
    E assim o operário ia
    Com suor e com cimento
    Erguendo uma casa aqui
    Adiante um apartamento.



    Além uma igreja, à frente
    Um quartel e uma prisão:
    Prisão de que sofreria
    não fosse eventualmente
    Um operário em construção
    Mas ele desconhecia
    Esse fato extraordinário:
    Que o operário faz a coisa
    E a coisa faz o operário.
    De forma que, certo dia
    À mesa, ao cortar o pão
    O operário foi tomado
    De uma súbita emoção
    Ao constatar assombrado
    Que tudo naquela mesa
    - Garrafa, prato, facão
    Era ele quem fazia
    Ele, um humilde operário
    Um operário em construção.
    Olhou em torno: a gamela
    Banco, enxerga, caldeirão
    Vidro, parede, janela
    Casa, cidade, nação!
    Tudo, tudo o que existia
    Era ele quem os fazia
    Ele, um humilde operário
    Um operário que sabia
    Exercer a profissão.



    Ah, homens de pensamentos
    Não sabeis nunca o quanto
    Aquele humilde operário
    Soube naquele momento
    Naquela casa vazia
    Que ele mesmo levantara
    Um mundo novo nascia
    De que sequer suspeitava.
    O operário emocionado
    Olhou sua própria mão
    Sua rude mão de operário
    De operário em construção.
    E olhando bem para ela
    Teve um segundo a impressão
    De que não havia no mundo
    Coisa que fosse mais bela.



    Foi dentro desta compreensão
    Desse instante solitário
    Que, tal sua construção
    Cresceu também o operário
    Cresceu em alto e profundo
    Em largo e no coração.
    E como tudo que cresce
    Ele não cresceu em vão
    Pois além do que sabia
    - Exercer a profissão -
    O operário adquiriu
    Uma nova dimensão:
    A dimensão da poesia.



    E um fato novo se viu
    Que a todos admirava:
    O que o operário dizia
    Outro operário escutava
    E foi assim que o operário
    Do edifício em construção
    Que sempre dizia "sim"
    Começou a dizer "não"
    E aprendeu a notar as coisas
    A que não dava atenção
    Notou que sua marmita
    Era o prato do patrão
    Que sua cerveja preta
    Era o uísque do patrão
    Que seu macacão de zuarte
    Era o terno do patrão
    Que o casebre onde morava
    Era a mansão do patrão
    Que seus dois pés andarilhos
    Eram as rodas do patrão
    Que a dureza do seu dia
    Era a noite do patrão
    Que sua imensa fadiga
    Era a amiga do patrão.



    E o operário disse: Não!
    E o operário se fez forte
    Na sua resolução.



    Como era de se esperar
    As bocas da delação
    Começaram a dizer coisas
    Aos ouvidos do patrão
    Mas o patrão não queria
    Nenhuma preocupação.
    - "Convençam-no" do contrário
    Disse ele sobre o operário
    E ao dizer isto sorria.



    Dia seguinte o operário
    Ao sair da construção
    Viu-se súbito cercado
    Dos homens da delação
    E sofreu por destinado
    Sua primeira agressão
    Teve seu rosto cuspido
    Teve seu braço quebrado
    Mas quando foi perguntado
    O operário disse: não!



    Em vão sofrera o operário
    Sua primeira agressão
    Muitas outras seguiram
    Muitas outras seguirão.
    Porém, por imprescindível
    Ao edifício em construção
    Seu trabalho prosseguia
    E todo seu sofrimento
    Misturava-se ao cimento
    Da construção que crescia.



    Sentindo que a violência
    Não dobraria o operário
    Um dia tentou o patrão
    Dobrá-lo de modo contrário
    De sorte que foi levado
    Ao alto da construção
    E num momento de tempo
    Mostrou-lhe toda região
    E apontando-a ao operário
    Fez-lhe esta declaração:
    - Dar-te-ei todo este poder
    E a sua satisfação
    Porque a mim me foi entregue
    E dou-a a quem quiser.
    Dou-te tempo de lazer
    Dou-te tempo de mulher
    Portanto, tudo que vês
    Será teu se me adorares
    E, ainda mais, se abandonares
    O que te faz dizer não.



    Disse e fitou o operário
    Que olhava e refletia.
    Mas o que via o operário
    O patrão nunca veria
    O operário via casas
    E dentro das estruturas
    Via coisas, objetos
    Produtos, manufaturas.
    Via tudo que fazia
    O lucro do seu patrão
    E em cada coisa que via
    Misteriosamente havia
    A marca da sua mão.
    E o operário disse: não!



    - Loucura! - gritou o patrão
    Não vês o que te dou eu?
    - Mentira! - disse o operário
    Não pode me dar o é meu.



    E um grande silêncio fez-se
    Dentro do seu coração
    Um silêncio de martírios
    Um silêncio de prisão.
    Um silêncio povoado
    De pedidos de perdão
    Um silêncio apavorado
    Com o medo em solidão
    Um silêncio de torturas
    E gritos de maldição
    Um silêncio de fraturas
    A se arrastarem no chão
    E o operário ouviu a voz
    De todos seus irmãos
    Os seus irmãos que morreram
    Por outros que viverão
    Um esperança sincera
    Cresceu no seu coração
    E dentro da tarde mansa
    Agigantou-se a razão
    De um pobre e esquecido
    Razão que fizera
    Em operário construído
    O operário em construção."

    ("Operário em Construção" Poema de Vinícius de Morais)

    Um dos poemas que mais gosto de Vinícius, que aqui te deixo com um grande abraço e até sábado ;)

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  14. se calhar era uma nave espacial... rssssss

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