quarta-feira, 13 de julho de 2005

Olá Mãe Terra

Não é preciso recorrer aos telejornais e aos jornais diários...
Basta olhar à nossa volta, sentir esta temperatura ressequida, ver e ouvir o fogo que devora a floresta e que têm sido uma calamidade nestes últimos dias (não só para os bombeiros, os populares, a vegetação, os animais, as aves, os insectos, os vermes...), respirar este ar carregado de cinzas, poeiras e pólens, olhar o brilho deste sol amorfanhado pelo tom cinza do céu, para nos apercebermos que a nossa Terra está doente...
Chegou a altura de incitar todos especialmente os mais jovens! a contribuir para a cura deste planeta.
Apesar dos esforços consideráveis que muitos vêm desenvolvendo, os problemas que afectaram a Terra durante o século XX continuam ainda hoje a existir.
É um facto que o planeta Terra está em muito mau estado.

O ser humano adquiriu poderes e a sua capacidade de intervenção (que já não controla) faz correr o sério risco de entrar numa espiral negativa destruidora da vida do Homem e de todo o Planeta.
Mais do que nunca, precisamos tomar as medidas necessárias para assegurar que o Ambiente permaneça no topo das preocupações não só nossas mas também - e principalmente! - dos governos deste mundo, se ainda estivermos interessados em entregar às gerações vindouras esta Terra...

Não em cacos, mas sim em estado de ser curada.

É urgente criar condições para uma reconciliação entre o Homem e a Natureza!



Carta aberta ao Planeta Terra

Inspirada na “Carta ao Planeta Terra
de Saulo Calderon


Olá Mãe Terra

Apesar de morar nesta casa que tu puseste à minha disposição nunca escrevi ou falei contigo para reclamar ou agradecer a tua amizade e hospitalidade.
Até agora pensava que eras apenas um monte de terra desprovida de qualquer sentimento...
Passados todos estes anos em que te ignorei, é que me apercebo que ainda não tinha tido tempo para agradecer tanta beleza que tu, Mãe Terra, puseste à minha disposição.
Não me podes culpar por esta indiferença, pois foi assim que, desde a minha infância, fui educado a olhar para ti.
As lixeiras que fazemos, as pessoas a cortarem desordenadamente as tuas árvores, o incendiar das tuas florestas, a falta de cuidado com que tratamos os mares, os rios, os lagos e as nascentes, a indiferença com que matamos os animais que nos acompanham nesta viagem...
Mãe Terra, hoje eu sei que algo se mudou dentro de mim!
Com o passar dos anos fui-me apercebendo da verdadeira Mãe que tens sido para mim - deste-me sempre e na altura própria tudo aquilo que precisei!
Nunca me faltaste com água, ar e comida.
Quando falo em “água” até o meu coração dói! Como é possível que nós, teus filhos, te tratar assim tão mal?!!!
Acredito, Mãe Terra, que tu estás bem viva e consciente e que sabes muito bem que nós, Humanos, não só nos estamos a destruir como também tentamos arrastar-te para o abismo em que vamos acabar um dia destes...
Já olho para a Humanidade como se fosse um tumor cancerígeno... e que o terás de tratar urgentemente!... Mas sem quimioterapias, sem ablações, sem radioterapias...
Mãe Terra tu, como geradora do Amor que faz brotar a Natureza renovada em cada Primavera, não achas que é chegada a hora de aplicares a Terapia do Amor a estes teus filhos, antes que desapareçam como espécie?
Mãe Terra, ou Gaya (como gosto tanto de te chamar!...), vou terminar esta carta aberta, agradecendo a beleza que me dás todas as manhãs quando acordo, a humildade dos animais que beijam as tuas flores e o perfume que imana de todo o teu ser.
Agradeço-te este ar que respiro, o chão que piso, as árvores que me dão a madeira com que me cubro e a frescura nos dias de sol...
Agradeço-te as sementes que me dão o pão do dia a dia, o verde que me dá a frescura e o alimento para os animais que comigo coabitam este espaço...
Agradeço-te as águas dos mares que me dão o peixe que me alimenta e o ar que purifica...
Agradeço os rios que me dão as estradas de que necessito, as fontes que me matam a sede, a terra fértil que me dá tudo aquilo que preciso...
Agradeço-te, Mãe Terra, o carinho com que me vais receber um dia quando a minha viagem chegar ao fim.

Para terminar, Mãe Terra, deixa-me agradecer-te por me teres deixado viver nesta Casinha Azul.

12 de Julho de 2005
José Gomes


Fundo musical - "Vangelis - L'apocalypse des Animaux"

10 comentários:

  1. para já gostei do tema. depois volto para ler como o post merece.
    abraço da leonor

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  2. Bela carta à Mãe Terra. Há que nos preocuparmos com isso. Boa ideia que tiveste, porque cada vez isto está pior. Beijos

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  3. Condeno toda a acção terrorista do homem, contra si próprio e contra os outros elementos do sistema, mas não posso abominar qualquer intervenção do planeta em querer salvar-se do mal que lhe fazem.

    A alteração do clima, os terramotos, os tornados sucessivos são a purga da Mãe Geia, a primeira divindade simbolizada por esse macaco irrequieto que paradoxalmente a destrói.

    abraço da leonor

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  4. Prezado Amigo,

    É a segunda vez hoje, que me emociono. Sim, apesar na fase Outonal em que me encontro, em que nos encontramos... a água ainda me humedece os meus olhos quando recebo de presente palavras tão belas como as tuas.

    Gostava de ter escrito este teu Hino à Vida. Esta é a melhor homenagem que te presto.

    É bom ter Amigos como tu!

    Fraterno Abraço,

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  5. Fernando Peixoto13/7/05 23:12

    «Mãe Terra, ou Gaya (como gosto tanto de te chamar!...), vou terminar esta carta aberta, agradecendo a beleza que me dás todas as manhãs quando acordo, a humildade dos animais que beijam as tuas flores e o perfume que imana de todo o teu ser.»
    É difícil, Zé, dizer algo, depois deste maravilhoso hino que escreveste a Gaia, a minha, a nossa Terra.
    Um grande abraço e parabéns por este texto encantador

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  6. Fabulosa esta Carta! Perdi-me a lê-la, na evocação de um Planeta Azul, que tantos querem destruir!

    Um abraço terno ;)

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  7. Que belas as tuas palavras, que bela carta. Que belo seria o nosso planeta azul se todos respeitassem e amassem a natureza. Bjinhos Zé

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  8. Zia,
    Esta música foi feita a pensar em ti.
    Que tenhas uma boa estadia aí pelos States.
    Beijos dos Papás...

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  9. Olá, Zé! Um Ecologista no verdeiro sentido da palavra! Para mudar muita coisa é preciso mudar mentalidades e isso é tão difícil fazê-lo!!! Mas ...nã impossível! :)
    BOM fim semana! **

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  10. Esta é uma grande preocupação que tenho. Como terapeuta de Reiki, tenho responsabilidade (cnsciência) acrescida em relação ao meio em que vivo que é o Universo. Mas, ainda estanos mto atrasados. A uns meros 40 km de Lx, onde vivo, não há um único Ponto Verde em 10 km... E sp que deito o lixo fora, dói-me o coração. Um beijinho doce

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