quinta-feira, 28 de julho de 2005

Em busca do arco íris que perdi...

Esta imagem "roubei-a" indecentemente do "Blog da Pimentinha"... mas com o seu consentimento!

Desde que começou a chover não mais larguei as núvens carregadas que toldam o céu, na esperança de ver um certo Arco Irís...
Estou com saudades, é certo!
Aquela mistura de cores baralha-me o coração; os diferentes cumprimentos de onda que elas emanam põem-me em fervorosa...
Senti um dia que o Arco Irís poderia unir dois mundos, duas almas, dois corações, duas dimensões, duas margens, um anjo e um destino...
Mas não passou de um sentimento gerado e induzido por forças que não conheço, por cores que me seduzem.
Hoje, mais uma vez, fui à procura do tal Arco Irís...
Não o encontrei!

Acabei por ouvir Louis Armstrong na sua voz rouca interpretar "What A Wonderful World" e mentalmente traduzir cada verso...

Dedico-a àquele Arco Irís que talvez nunca mais torne a encontrar...


What A Wonderful World
(Louis Armstrong)

I see trees of green, red roses too
Eu vejo o verde das árvores, rosas vermelhas também

I see them bloom for me and you
Eu vejo-as florir para mim e para ti

And I think to myself what a wonderful world
E eu penso para comigo mesmo como o mundo é maravilhoso

I see skies of blue and clouds of white
Eu vejo o azul dos céus e o branco das nuvens

The bright blessed day, the dark sacred night
A luz abençoa o dia, o escuro consagra a noite

And I think to myself what a wonderful world
E eu penso para comigo mesmo como o mundo é maravilhoso

The colors of the rainbow so pretty in the sky
As cores do arco-irís são tão bonitas no céu

Are also on the faces of people going by
Estão também nos rostos das pessoas que passam

I see friends shaking hands saying how do you do
Eu vejo amigos apertando as mãos dizendo olá como estás

They're really saying I love You
Eles realmente dizem eu amo-te

I hear babies cry, I watch then grow
Eu ouço bebés a chorar, eu vejo-os a crescer

They'll learn much more than I'll never know
Eles aprenderão muito mais do que eu nunca saberei

And I think to myself what a wonderful world
E eu penso para comigo mesmo como o mundo é maravilhoso

Yes I think to myself what a wonderful world
E eu penso para comigo mesmo como o mundo é maravilhoso


José Gomes

terça-feira, 26 de julho de 2005

Porto Sentido

Acordei hoje com saudades do Porto...
Lembrei-me da Ribeira, do Rio Douro, das manhãs de neblina, do casario e das pontes que fizeram o encanto da minha juventude...

"Quem vem e atravessa o rio
Junto à serra do Pilar
Vê um velho casario
que se estende até ao mar
Quem te vê ao vir da ponte

És cascata, são-joanina
Dirigida sobre um monte
No meio da neblina. " (...)

E este poema de Carlos Té, com música e voz de Rui Veloso, deu o mote para fazer este "post".

Vou aproveitar um belo poema de Fernando Peixoto que terá como tema de fundo "Ondas do Douro", interpretado pela Tuna Universitária do Porto, no concerto de apresentação da Queima das Fitas em Maio 2000.

Ahhh... não sei bem como, consegui "meter" a música... penso que o problema está na Firewall do Panda...

Espero que gostem.

PORTO CANÇÃO

Neste Porto todo em bruma
que cobre as águas do rio
passeia um deus que se esfuma
nas águas em desvario.

Neste Porto em que me deito
sonho noites de ternura
sorvendo-o me deleito
em cálices de amargura
depois deito-me adormeço
numa cama de granito
e já nem me reconheço
nos sonhos em que me agito.

Neste Porto todo em bruma
que se alaga sobre o rio
passeia um deus que se esfuma
nas águas em desvario.

Ao chegar a madrugada
espreguiça-se a cidade
respira o ar da nortada
banha-se na claridade.
Neste Porto me levanto
com gestos de lentidão
entorpecido no canto
dos passos da multidão.

Neste Porto todo em bruma
que se alaga sobre o rio
passeia um deus que se esfuma
nas águas em desvario.

E saio por aí fora
disfarçado em burburinho
como quem sabe onde mora
este Porto em desalinho
vou sorvendo o labirinto
em frenética ansiedade
neste Porto em que me sinto
um Ícaro em liberdade.

Neste Porto todo em bruma
que se alaga sobre o rio
passeia um deus que se esfuma
nas águas em desvario.

E mergulho na corrente
coloco a Foz como rota
dirigindo-me ao poente
nas asas duma gaivota
busco o mar que me alicia
com as lendas marinheiras
com ondas de melodia
a embalar as traineiras.

Neste Porto todo em bruma
que se alaga sobre o rio
passeia um deus que se esfuma
nas águas em desvario:
- é Neptuno carpindo
os seus ciúmes e mágoas
ao ver o Porto sorrindo
sobre o espelho das águas.

Fernando Peixoto

http://clioeros.blogs.sapo.pt/


Um abraço, Fernando, e obrigado pelo poema.

José Gomes

domingo, 24 de julho de 2005

Assim não vale...

Realmente, meus amigos assim não vale!...

Deixar os blogues (tanto este como o http://movimentum.blogs.sapo.pt/) nada tem a ver com caprichos e muito menos o alimentar do ego com telefonemas e comentários que me proporcionaram durante o dia de ontem.
Muitas vezes vestimos as cores negras da vida devido a precalços insignificantes (netcabos, espera de notícias, compreender esta coisa de fazer posts, não incomodar, dia "não", sei lá que mais...!) e vem logo a vontade de mandar tudo às melgas, sentar-me no sofá a ver um programa de tv (adormeço logo!) e deixar a vida fluir... desligar-me de tudo e todos!
Mas esqueci-me dos amigos!!!
Fui "bombardeado" pela MP, Leonoretta, c'est moi, MM, wind, amita, fernando b, entre tantos outros, para não abandonar os blogues e a querer saber o que se passava comigo...
Foi o Ognid que me foi arrancar ao marasmo em que me encontrava, estendido no sofá a ver qualquer filme da tv que não me recordo qual, pois dormia a sono solto!
Depois de mais de uma hora que o Ognid gastou comigo a verificar o que tinha, tecnicamente, acontecido ao blogue e ter corrigido os erros que encontrou, ficou combinado que quando voltar novo "apagão" nesta minha vida inconstante não devo ir pelo caminho mais fácil (desistir) e sim procurar soluções para o problema, junto dos amigos.


Não "postei" ontem porque estava comprometido com o lançamento do livro de uma amiga na livraria Almedina, no Norte Shopping.
Estivemos lá meia dúzia de pessoas entre a autora, o editor e nós. Caras desconhecidas talvez só as que passavam àquela hora nos corredores do Arrábida e foram despertadas pelas palmas que marcaram alguns poemas do livro lidos pela Mamede, pela Jó e pela Filó (mas... continuaram, indiferentes, o seu caminho!).

Aqui, sim, senti-me mal e transformei uma sessão de lançamento numa espécie de debate em que nos interrogamos se valeria a pena aos poetas escreverem, aos editores editarem, às livrarias manterem as portas abertas, aos que tentam fazer com que o ambiente cultural não morra, continuar a lutar para que esta sociedade seja mais justa e fraterna...

Secretamente cheguei à conclusão que se talvez tivesse feito meia dúzia de telefonemas poderia ter transformado a noite de ontem não num encontro de meia dúzia de amigos mas sim numa Sessão digna desse nome.
Teria sido bom para o espaço na Livraria, para a autora e mesmo para o editor. Talvez o número de participantes fosse engrossando com o pessoal que passava nos corredores do Arrábida, atraídos pelo barulho não de meia dúzia de palmas mas sim com o ruído de umas boa dúzias de palmas dadas no calor da noite...

É por tudo isto que não tenho o direito de desistir! As pedras colocadas no caminho servem para tropeçar, cair, levantar e continuar em frente... mas nunca para desistir!

Ainda tenho um caminho a percorrer... conto com a Força que emana de todos vós!

Obrigado, amigos.

José Gomes

(Fundo musical - "Vangelis - L'apocalypse des Animaux")

quinta-feira, 21 de julho de 2005

Agradecimentos ou... um adeus?


Deusa alada Maat - pintura mural na entrada do túmulo da rainha Nefertari, esposa do faraó Ramsés II (1290-1278 a.C.)

Quero agradecer a todos os visitantes de "Chuviscos" os comentários e as visitas efectuadas.

Desde o nascimento deste "cantinho" (já lá vai pouco mais de mês e meio!) que não dou respostas regulares aos comentários. Apenas me tenho limitado a lê-los e a guardá-los naquela pasta que reservo dentro do peito para aquelas pessoas muito especiais...

Gostaria de poder continuar este blog com a qualidade mínima a que me obriguei, mas...

Continuo a não me entender com a netcabo (rsssssss) e à criação da pasta pessoal a que tenho direito para alojar ficheiros de música.

Até aqui, graças à boa vontade da Lique (a quem, carinhosamente, trato por "madrinha"), ela me aloja as músicas na sua página pessoal e "compõe" este blog -o que muito lhe agradeço não só a sua disponibilidade como também a sua amizade - mas não quero mais abusar!

Alice, vais-me desculpar, mas não quero mais obrigar-te a dispor do teu tempo para me ajudares. Tens dois blogues lindos que deverão merecer toda a tua atenção e não estares sujeita aos caprichos deste chato.

Fico-me por aqui, senão uma lagrimita marota poderá cair e borrar-me toda a escrita.

Até sempre, meus amigos.

José Gomes

quarta-feira, 13 de julho de 2005

Olá Mãe Terra

Não é preciso recorrer aos telejornais e aos jornais diários...
Basta olhar à nossa volta, sentir esta temperatura ressequida, ver e ouvir o fogo que devora a floresta e que têm sido uma calamidade nestes últimos dias (não só para os bombeiros, os populares, a vegetação, os animais, as aves, os insectos, os vermes...), respirar este ar carregado de cinzas, poeiras e pólens, olhar o brilho deste sol amorfanhado pelo tom cinza do céu, para nos apercebermos que a nossa Terra está doente...
Chegou a altura de incitar todos especialmente os mais jovens! a contribuir para a cura deste planeta.
Apesar dos esforços consideráveis que muitos vêm desenvolvendo, os problemas que afectaram a Terra durante o século XX continuam ainda hoje a existir.
É um facto que o planeta Terra está em muito mau estado.

O ser humano adquiriu poderes e a sua capacidade de intervenção (que já não controla) faz correr o sério risco de entrar numa espiral negativa destruidora da vida do Homem e de todo o Planeta.
Mais do que nunca, precisamos tomar as medidas necessárias para assegurar que o Ambiente permaneça no topo das preocupações não só nossas mas também - e principalmente! - dos governos deste mundo, se ainda estivermos interessados em entregar às gerações vindouras esta Terra...

Não em cacos, mas sim em estado de ser curada.

É urgente criar condições para uma reconciliação entre o Homem e a Natureza!



Carta aberta ao Planeta Terra

Inspirada na “Carta ao Planeta Terra
de Saulo Calderon


Olá Mãe Terra

Apesar de morar nesta casa que tu puseste à minha disposição nunca escrevi ou falei contigo para reclamar ou agradecer a tua amizade e hospitalidade.
Até agora pensava que eras apenas um monte de terra desprovida de qualquer sentimento...
Passados todos estes anos em que te ignorei, é que me apercebo que ainda não tinha tido tempo para agradecer tanta beleza que tu, Mãe Terra, puseste à minha disposição.
Não me podes culpar por esta indiferença, pois foi assim que, desde a minha infância, fui educado a olhar para ti.
As lixeiras que fazemos, as pessoas a cortarem desordenadamente as tuas árvores, o incendiar das tuas florestas, a falta de cuidado com que tratamos os mares, os rios, os lagos e as nascentes, a indiferença com que matamos os animais que nos acompanham nesta viagem...
Mãe Terra, hoje eu sei que algo se mudou dentro de mim!
Com o passar dos anos fui-me apercebendo da verdadeira Mãe que tens sido para mim - deste-me sempre e na altura própria tudo aquilo que precisei!
Nunca me faltaste com água, ar e comida.
Quando falo em “água” até o meu coração dói! Como é possível que nós, teus filhos, te tratar assim tão mal?!!!
Acredito, Mãe Terra, que tu estás bem viva e consciente e que sabes muito bem que nós, Humanos, não só nos estamos a destruir como também tentamos arrastar-te para o abismo em que vamos acabar um dia destes...
Já olho para a Humanidade como se fosse um tumor cancerígeno... e que o terás de tratar urgentemente!... Mas sem quimioterapias, sem ablações, sem radioterapias...
Mãe Terra tu, como geradora do Amor que faz brotar a Natureza renovada em cada Primavera, não achas que é chegada a hora de aplicares a Terapia do Amor a estes teus filhos, antes que desapareçam como espécie?
Mãe Terra, ou Gaya (como gosto tanto de te chamar!...), vou terminar esta carta aberta, agradecendo a beleza que me dás todas as manhãs quando acordo, a humildade dos animais que beijam as tuas flores e o perfume que imana de todo o teu ser.
Agradeço-te este ar que respiro, o chão que piso, as árvores que me dão a madeira com que me cubro e a frescura nos dias de sol...
Agradeço-te as sementes que me dão o pão do dia a dia, o verde que me dá a frescura e o alimento para os animais que comigo coabitam este espaço...
Agradeço-te as águas dos mares que me dão o peixe que me alimenta e o ar que purifica...
Agradeço os rios que me dão as estradas de que necessito, as fontes que me matam a sede, a terra fértil que me dá tudo aquilo que preciso...
Agradeço-te, Mãe Terra, o carinho com que me vais receber um dia quando a minha viagem chegar ao fim.

Para terminar, Mãe Terra, deixa-me agradecer-te por me teres deixado viver nesta Casinha Azul.

12 de Julho de 2005
José Gomes


Fundo musical - "Vangelis - L'apocalypse des Animaux"

domingo, 10 de julho de 2005

Vinicius de Moraes



(25 anos depois da sua partida...)

Vinícius de Moraes

Nasceu em19 de Outubro de 1913 no Rio de Janeiro.
Dizia a lenda que naquela tempestuosa madrugada de Outono chegaria às terras da Bossa Nova “O Garoto de Ipanema”.
Escreveu o seu primeiro poema de amor com apenas 9 anos, inspirando-se numa colega da escola.
As mulheres, especialmente os seus amores, foram a fonte da sua inspiração.
Juntamente com o compositor António Carlos Jobim e o cantor João Gilberto, Vinicius tem um papel importante no movimento de renovação da música popular brasileira, a que se deu o nome de "Bossa Nova".
O compositor Tom Jobim musicou a peça de Vinícius “Orfeu da Conceição”.
Desta parceria e mais tarde com João Gilberto, Toquinho, Chico Buarque, entre outros, surgiriam canções que o imortalizaram como "Chega de Saudade", "Insensatez", "Garota de Ipanema", "Samba da Benção"...

Na manhã de 9 de Julho de 1980 Vinícius partiu para o paraíso dos poetas e compositores.

Toquinho e sua mulher Gilda assistiram à sua partida.
No enterro, abraçada a Ellis Regina, Gilda lembrou-se da noite anterior, quando, numa entrevista, perguntaram ao poeta:

“- Você está com medo da morte?
E Vinícius respondeu, com um sorriso:
- Não, meu filho. Eu não estou com medo da morte. Estou é com saudades da vida.


Como poderemos definir Vinícius de Morais?...

“Cálido, humano, reflexivo, com a música e a poesia na alma. Carioca e brasileiro, latino-americano e universal. Poeta de todos. Assim era Vinícius e, como ele, não haverá outro igual”.

Este é um pequeno apontamento com que pretendi homenagear Vinícius de Moraes, Poeta Universal, e que deveria ter saído ontem, 9 de Julho, dia em que se completou 25 anos da sua partida para o Paraíso dos Poetas.
Uma “branca” impediu-me de aceder aos “Chuviscos...”!
Obrigado, madrinha, pela ajuda.

Para ti, Vinícius, “Saravah”, companheiro!

Garota de Ipanema

Olha que coisa mais linda.
Mais cheia de graça
É ela menina
Que vem e que passa
Num doce balanço, a caminho do mar

Moça do corpo dourado
Do Sol de Ipanema
O seu balanço é mais que um poema
É coisa mais linda que eu já vi passar...

Ah, porque estou tão sozinho
Ah, porque tudo é tão triste
Ah, a beleza que existe
A beleza que não é só minha
Que também passa sozinha

Ah, se ela soubesse
Que quando ela passa
O mundo inteirinho se enche de graça
E fica mais lindo
Por causa do amor.

Vinícius Morais – poema
Carlos Jobim - música
Diálogo - Toquinho e Vinícius

José Gomes - 9/07/05

quarta-feira, 6 de julho de 2005

Poetas Andaluces de Ahora


Balada para os Poetas Andaluces (e de todo o mundo de hoje!...)


Nestes tempos conturbados, em que a confusão e a falta de princípios impera, senti-me recuar aos anos 70...
Apeteceu-me ouvir os Aguaviva, recordar a música de Manolo Diaz, Pepe Nieto, Virgilio Fernandez, Jose Yanes...
Apeteceu-me ouvir, de novo, música de intervenção dos anos 70, que continua cada vez mais actual nos dias de hoje...

Deixo-vos com a música e o poema na versão original...


Balada para los Poetas Andaluces de ahora

Qué cantan los poetas andaluces de ahora?
Qué miran los poetas andaluces de ahora?
Qué sienten los poetas andaluces de ahora?

Cantan con voz de hombre
pero, dónde los hombres?
Con ojos de hombre miran
pero, dónde los hombres?
Con pecho de hombre sienten
pero, dónde los hombres?

Cantan, y cuando cantan parece que están solos
Miran, y cuando miran parece que están solos
Sienten, y cuando sienten parece que están solos

Qué cantan los poetas, poetas andaluces de ahora?
Qué miran los poetas, poetas andaluces de ahora?
Qué sienten los poetas, poetas andaluces de ahora?

Y cuando cantan, parece que están solos
Y cuando miran , parece que están solos
Y cuando sienten, parece que están solos

Y cuando cantan, parece que están solos
Y cuando miran , parece que están solos
Y cuando sienten, parece que están solos
Pero, dónde los hombres?


Es que ya Andalucía se ha quedado sin nadie?
Es que acaso en los montes andaluces no hay nadie?
Que en los campos y mares andaluces no hay nadie?

No habrá ya quien responda a la voz del poeta,
Quien mire al corazón sin muro del poeta?
Tantas cosas han muerto, que no hay más que el poeta

Cantad alto, oireis que oyen otros oidos
Mirad alto, vereis que miran otros ojos
Latid alto, sabreis que palpita otra sangre

No es más hondo el poeta en su oscuro subsuelo encerrado
Su canto asciende a más profundo, cuando abierto en el aire
ya es de todos los hombres

Y ya tu canto es de todos los hombres
Y ya tu canto es de todos los hombres
Y ya tu canto es de todos los hombres

Y ya tu canto es de todos los hombres
(bis)


Interpretação: Aguaviva
Autor: Rafael Alberti
"In Memoriam"