domingo, 12 de junho de 2005

VASCO GONÇALVES




Vasco Gonçalves
Partiu um Homem bom, honesto e que sonhou com um País novo.

Nasceu em 1922.
Militar que apareceu no Movimento dos Capitães em Dezembro de 1973, numa reunião alargada da Comissão Coordenadora efectuada na Costa da Caparica.
Coronel de Engenharia que veio a integrar a Comissão de Redacção do Programa do Movimento das Forças Armadas. Passou a ser o elemento de ligação com Costa Gomes.
Elemento da Comissão Coordenadora do MFA, foi primeiro-ministro (desde o II ao V governos provisórios).
Na sequência dos acontecimentos de 25 de Novembro de 1975, Vasco Gonçalves foi perdendo toda a sua influência, acabando por ser abafado pelo sistema que o foi deixando cair no esquecimento.
É assim que se neutralizam os homens de valor.

Recordo as palavras de ordem “Força, Força, Companheiro Vasco – nós seremos a muralha de aço”, contidas na canção de Carlos Alberto Moniz e Maria do Amparo e que gritávamos bem alto nesses conturbados dias de 1975...
Foram apenas palavras!

Nós nunca tivemos essa força que gritamos, meses a fio, a plenos pulmões!

Como homenagem ao Companheiro Vasco, ao país novo que ele sonhou, à solidariedade em que sempre acreditou, à liberdade porque sempre se bateu, aos ideais de Abril que foi sempre um acérrimo defensor deixo, nesta hora da partida, o excerto da entrevista que deu a Maria Manuela Cruzeiro:

Mas a História não se desenvolve às avessas, como se o passado pudesse ser determinado a partir do futuro. A inviabilidade da Revolução Portuguesa numa Europa da qual a URSS desapareceu não pode servir de justificação política à contra-revolução. Para quantos se situam na perspectiva de Vasco Gonçalves — entre eles me incluo — a Revolução Portuguesa foi uma revolução assassinada. Assim a devemos tentar compreender, contemplada deste início do século XXI, quando alguns dos principais responsáveis civis pela contra-revolução, pequenos políticos caricaturais, se pavoneiam pelo mundo mascarados de campeões da democracia. No inverno da vida, Vasco Gonçalves está consciente de que «as maiores conquistas que o povo português alcançou ao longo dos seus oito séculos de história, se verificaram em 74-75 e nelas desempenharam um papel fundamental os militares do MFA».O projecto revolucionário, como o concebera, não se concretizou. Mas não há calúnia nem agressão à história que possa apagar o significado da participação decisiva na Revolução de Vasco Gonçalves, cidadão, soldado e patriota. Ele foi com Álvaro Cunhal um dos grandes portugueses do século XX.

Até sempre Companheiro Vasco!

5 comentários:

  1. No tempo dele foi um sonhador, um idealista. Há que respeitar isso. beijos

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  2. Subscrevo, com era de esperar, a tua análise e as palavras de Maria Manuela Cruzeiro.

    Penso que ainda temos muito a fazer, por exemplo, através dos nossos textos e usando a Verdade, transmitindo, principalmente aos mais novos, claramente, aquilo que até agora, no calor da nossa Luta, ainda não conseguimos.

    Todas as contribuições não serão demais, para edificação de uma sociedade mais justa e fraterna.

    Um Abraço,

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  3. Morreu o General do Povo!
    Um Homem que a sua preocupação foi favorecer os mais desfavorecidos e não o contrário.

    Aceita o meu pesar e o meu abraço solidário.

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  4. Anónimo5/2/07 11:46

    best regards, nice info » »

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