segunda-feira, 27 de junho de 2005

Encontro de Blogues

Encontro de “Bloguistas”
V. N. Gaia, 25/ Junho /2005

Nunca tinha ido a um Encontro de “Bloguistas”...

Apesar de em Dezembro ter tido nas Noites de Poesia em Vermoim, ao abrigo da “Poesia na Net” a presença do Pantanero (Porto) e da Wind, Lique, Ognid e a Lmatta (Lisboa), o meu espírito “blogueiro” ainda estava em fase de consolidação (tinha criado um blog em 1 de Novembro, dia dos finados, com a ajuda preciosa da Lique).
Gostei nessa altura de sentir o “salto” do virtual para o real... e que sensação!

Mas no sábado passado foi diferente!
Não só devido ao número de participantes (não os contei, mas se disser 30, não andarei muito longe da realidade) mas também pela maneira como saltamos do virtual para o real.... e rapidamente uma amizade e sã camaradagem se estabeleceu entre todos!

Comeu-se bem e conversou-se ainda melhor.
Trocaram-se experiências e apontaram-se soluções para problemas.
As máquinas fotográficas registaram momentos que, espero, sirvam de estímulo para mais Encontros.

Sei que poderíamos ter comido um pouco menos e aproveitar o tempo restante para nos conhecer ainda melhor... mas sinto que deste Encontro qualquer coisa nova nasceu – a AMIZADE e FRATERNIDADE.

E este mundo anda mesmo a precisar destes “artigos” cada vez mais raro...

A FRATERNIDADE não se reduz à comunidade dos homens, ao seu ambiente mais imediato. Estende-se até às estrelas mais longínquas.
O AMIGO surgiu como o vento da Primavera, com perfumes das flores e a doce luz do céu. Mantém-se no limiar da alma, sempre alegre e benévolo.


(Da Sabedoria Ameríndia)

José Gomes

quarta-feira, 22 de junho de 2005

Carta de despedida de "Che" a Fidel...

Ao arrumar este matagal de papel e ao tentar dar uma ordem neste caos em que ultimamente transformei este meu "escritório", deparei com várias fotografias do "Che" (ídolo da minha juventude), vários relatos que recortei da imprensa de então e comentários de vários amigos sobre a sua vida, sobre as suas lutas, sobre os seus ideais, sobre a sua execução...
Porque hoje não é o seu dia de aniversário, nem o dia do seu passamento, nem qualquer data especial, traduzi a carta de despedida do Che que foi lida por Fidel Castro em Outubro de 1965.
Dedico-a a todos aqueles que tentaram, tentam e tentarão, mesmo com o sacrifício das suas vidas, dar um novo rumo a este Mundo sem sentido...

Carta lida por Fidel de Castro em Outubro de 1965:

“A Fidel de Castro

Havana. “Ano da Agricultura”


Fidel,

Neste momento lembro-me de muitas coisas – de quando te conheci no México, em casa da Maria Antónia, de quando me propuseste juntar-me a ti; de todas as tensões causadas pelos preparativos...

Um dia vieram perguntar-me quem deveriam avisar em caso de morte, e a possibilidade real deste facto afectou todos nós. Mais tarde soubemos que era verdade, que numa revolução ou se vence ou se morre (se a revolução for autêntica). E muitos companheiros ficaram-se pelo caminho em direcção à vitória...

Hoje, tudo tem um tom menos dramático, porque estamos mais maduros. Mas os factos repetem-se.
Sinto que cumpri com a parte do meu dever que me prendia à Revolução Cubana no seu território e despeço-me de ti, dos camaradas, do teu povo, que agora é meu.

Renuncio formalmente aos meus cargos no Partido, ao meu lugar de ministro, à minha patente de Comandante e à minha cidadania cubana. Legalmente nada me liga a Cuba, apenas laços de outro tipo, que não se podem quebrar com nomeações.

Fazendo o balanço da minha vida passada, acho que trabalhei com suficiente integridade e dedicação para consolidar o triunfo revolucionário. A minha única falha grave foi não ter tido mais confiança em ti desde os primeiros momentos da Sierra Maestra não ter compreendido com a devida rapidez as tuas qualidades de líder revolucionário.

Vivi dias magníficos e, ao teu lado, senti o orgulho de pertencer ao nosso povo nos dias brilhantes, embora tristes, da crise do Caribe (a questão dos mísseis soviéticos em Cuba). Raramente um estadista fez mais do que tu naqueles dias; orgulho-me também de te ter seguido sem vacilar, identificando-me com a tua maneira de pensar, de ver e avaliar os perigos e os princípios.

Outras terras do mundo requerem os meus modestos esforços. Eu posso fazer aquilo que te é vedado devido à tua responsabilidade à frente de Cuba, e chegou a hora de nos separarmos.

Quero que se saiba que o faço com um misto de alegria e pena. Deixo aqui as minhas mais puras esperanças de construtor e os meus entes mais queridos. E deixo um povo que me recebeu como um filho. Isso fere uma parte do meu espírito.

Carrego para novas frentes de batalha a fé que me ensinaste, o espírito revolucionário do meu povo; a sensação de cumprir com o mais sagrado dos deveres: lutar contra o imperialismo onde quer que esteja. Isso consola-me e mais do que isso cura as feridas mais profundas.

Declaro uma vez mais que liberto Cuba de qualquer responsabilidade, a não ser aquela que provém do seu exemplo. Se chegar a minha hora debaixo de outros céus, o meu último pensamento será para o povo e especialmente para ti, a quem digo obrigado pelos teus ensinamentos e pelo teu exemplo, aos quais tentarei ser fiel até às últimas consequências dos meus actos; que estive sempre identificado com a política externa da nossa revolução e assim continuarei; que onde quer que me encontre sentirei a responsabilidade de ser revolucionário cubano, e como tal actuarei.

Não lamento por nada deixar, nada material , para os meus filhos e para a minha mulher. Estou feliz que seja assim. Não peço nada para eles, pois o Estado lhes dará o suficiente para viver e se educarem.

Teria muitas coisas a dizer-te e ao nosso povo, mas sinto que não são necessárias palavras elas não podem expressar o que eu desejaria; não vale a pena rabiscar apressadamente mais qualquer coisa num bloco de notas.

Até à vitória sempre! Pátria ou morte!
(Hasta la victoria siempre! Pátria o muerte!)

Abraço-te com todo o meu fervor revolucionário.

Che”

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Notas...

1967:

Che Guevara morreu no dia 9 de Outubro de 1967 na aldeia boliviana de Higueras. Foi assassinado, com apenas 39 anos de idade, por "Boinas Verdes Quíchuas", tropa de elite do exército boliviano, treinada pelos Estados Unidos especialmente para esse fim. Che morreu como queria, lutando por um ideal que considerava justo.

1997:

Trinta anos depois do assassinato de Che, os seus restos mortais foram descobertos numa vala comum na cidade de Vallegrande, na Bolívia, por antropólogos argentinos e cubanos.
Em 17 de Outubro de 1997, Che foi enterrado na cidade cubana de Santa Clara (onde liderou uma batalha decisiva para o derrube de Fulgêncio Baptista), com a presença da família e de Fidel. Embora os seus ideais sejam românticos aos olhos de um mundo globalizado, ele transformou-se num símbolo na história das revoluções do século XX e num exemplo de coerência política. A sua morte determinou o nascimento de um mito, até hoje símbolo de resistência para os países latino-americanos.

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Pesquisa e tradução-------- José Gomes

quinta-feira, 16 de junho de 2005

Acordes de um final de primavera


Quando ontem deixei Lisboa, depois de arrepiado por aquele banho de multidão no funeral de Álvaro, ainda mergulhado no sentimento derramado pela Internacional entoada com o coração por milhares e milhares de vozes, refugiei-me nos Preceitos de Vida dos Índios e dei por mim a ler estas palavras:

"Tudo passa. Os bisontes não tornarão a vir, as cidades dos homens ocupam agora os prados e as montanhas. O que resta agora ao homem livre? O território do seu espírito, imenso, que nunca ninguém poderá invandir."

Não sei bem porquê regressei a casa trotear esta canção...
(Espero que a "madrinha" possa pôr esta música de fundo pois eu ainda não sei como se faz... esta velhice está a atrofiar o meu cérebero!!!)


Índia

Índia teu cabelo nos ombros caindo
Negros como as noites que não tem luar
Seus lábios de rosas para mim sorrindo
E a doce meiguice deste teu olhar

Índia da pele morena
Sua boca pequena eu quero beijar
Índia sangue Tupi
Tens o cheiro da flor
Vem que eu quero lhe dar
Todo meu grande amor

Quando eu for embora para bem distante
E chegar a hora de dizer-te Adeus
Fica em meus braços só mais uns instantes
Deixa os meus lábios se unirem aos teus

Índia levarei saudades
Da felicidade que você me deu
Índia a sua imagem
Sempre comigo vai
Dentro do meu coração
Flor do meu Paraguai


"Os funerais não são uma festa fúnebre, desesperada. Servem para acompanhar a viagem do defunto e para preparar o seu regresso."


José Gomes

segunda-feira, 13 de junho de 2005

A ÁLVARO CUNHAL



Poema escrito quando o Centro de Trabalho de Braga do PCP foi incendiado e destruído pelos forças contra-revolucionários encabeçadas pelo ELP.
É com este poema que vou homenagear Álvaro Cunhal, o Revolucionário de corpo inteiro, que dedicou a sua vida a um projecto de Paz, Prosperidade, Justiça Social e Igualdade para todos os portugueses.
A melhor homenagem que poderíamos fazer a este Homem íntegro e solidário será continuar a luta sem qualquer desfalecimento e com esperança no Futuro.


A Bandeira Comunista

Foi como se não bastasse
tudo quanto nos fizeram
como se não lhes chegasse
todo o sangue que beberam
como se o ódio fartasse
apenas os que sofreram
como se a luta de classe
não fosse dos que a moveram.
Foi como se as mãos partidas
ou as unhas arrancadas
fossem outras tantas vidas
outra vez incendiadas

À voz de anticomunista
o patrão surgiu de novo
e com a miséria à vista
tentou dividir o povo.
E falou à multidão
tal como estava previsto
usando sem ter razão
a falsa ideia de Cristo.

Pois quando o povo é cristão
também luta a nosso lado
nós repartimos o pão
não temos o pão guardado.
Por isso quando os burgueses
nos quiseram destruir
encontraram os portugueses
que souberam resistir.

E a cada novo assalto
cada escalada fascista
subirá sempre mais alto
a bandeira comunista.

(Ary dos Santos)

domingo, 12 de junho de 2005

VASCO GONÇALVES




Vasco Gonçalves
Partiu um Homem bom, honesto e que sonhou com um País novo.

Nasceu em 1922.
Militar que apareceu no Movimento dos Capitães em Dezembro de 1973, numa reunião alargada da Comissão Coordenadora efectuada na Costa da Caparica.
Coronel de Engenharia que veio a integrar a Comissão de Redacção do Programa do Movimento das Forças Armadas. Passou a ser o elemento de ligação com Costa Gomes.
Elemento da Comissão Coordenadora do MFA, foi primeiro-ministro (desde o II ao V governos provisórios).
Na sequência dos acontecimentos de 25 de Novembro de 1975, Vasco Gonçalves foi perdendo toda a sua influência, acabando por ser abafado pelo sistema que o foi deixando cair no esquecimento.
É assim que se neutralizam os homens de valor.

Recordo as palavras de ordem “Força, Força, Companheiro Vasco – nós seremos a muralha de aço”, contidas na canção de Carlos Alberto Moniz e Maria do Amparo e que gritávamos bem alto nesses conturbados dias de 1975...
Foram apenas palavras!

Nós nunca tivemos essa força que gritamos, meses a fio, a plenos pulmões!

Como homenagem ao Companheiro Vasco, ao país novo que ele sonhou, à solidariedade em que sempre acreditou, à liberdade porque sempre se bateu, aos ideais de Abril que foi sempre um acérrimo defensor deixo, nesta hora da partida, o excerto da entrevista que deu a Maria Manuela Cruzeiro:

Mas a História não se desenvolve às avessas, como se o passado pudesse ser determinado a partir do futuro. A inviabilidade da Revolução Portuguesa numa Europa da qual a URSS desapareceu não pode servir de justificação política à contra-revolução. Para quantos se situam na perspectiva de Vasco Gonçalves — entre eles me incluo — a Revolução Portuguesa foi uma revolução assassinada. Assim a devemos tentar compreender, contemplada deste início do século XXI, quando alguns dos principais responsáveis civis pela contra-revolução, pequenos políticos caricaturais, se pavoneiam pelo mundo mascarados de campeões da democracia. No inverno da vida, Vasco Gonçalves está consciente de que «as maiores conquistas que o povo português alcançou ao longo dos seus oito séculos de história, se verificaram em 74-75 e nelas desempenharam um papel fundamental os militares do MFA».O projecto revolucionário, como o concebera, não se concretizou. Mas não há calúnia nem agressão à história que possa apagar o significado da participação decisiva na Revolução de Vasco Gonçalves, cidadão, soldado e patriota. Ele foi com Álvaro Cunhal um dos grandes portugueses do século XX.

Até sempre Companheiro Vasco!

sábado, 11 de junho de 2005

Experiência



São céus como estes, prenunciadores de tempestade, que fazem lembrar ao Homem quão pequenino é perante a força da Mãe-Natureza...
E depois da borrasca vem o céu azul, às vezes mesclado com um lindo arco-íris.

sexta-feira, 10 de junho de 2005

A MORTE DO POETA

Escolhi mesmo o dia de hoje para dar o pontapé de saída aos "Chuviscos..."
Como prometido, quem vai pôr a bola em jogo é o Fernando Peixoto.

Foi o último poema que leu no dia 4 de Junho na Noite de Poesia de Vermoim...
Apreciem...


A MORTE DO POETA

Espalham-se os guardas, as milícias
e vibram as sirenes estridentes.
Pelas ruas farejam cães-polícias:
procuram o Poeta entre as gentes.

Todos sabem que ele é um subversivo
temido, perigoso cadastrado
que afirma o direito de estar vivo
e de andar vertical por todo o lado.

Procuram nas notícias dos jornais
a cara do Poeta fugitivo
tentando descobrir alguns sinais
que o tornem, desde logo, conhecido.
Na rádio, na TV, noticiários
já lançaram apelos lancinantes
pedindo que se evitem riscos vários
de infecção com versos delirantes.

A cidade agitada, no pavor
de se envolver em tal epidemia,
não deixava que alguém fizesse amor
porque o Amor, às vezes, contagia...

Deixaram as pessoas de sorrir,
aos jovens proibiu-se namorar,
os músicos deixaram de se ouvir,
os pássaros pararam de cantar.
Impediu-se o luar de aparecer
p'ra não alimentar o romantismo.
Proibiu-se ao Homem e à Mulher
a mínima atitude de erotismo.
Decretou-se que o Dia era cinzento,
foi imposto o silêncio por decreto,
ergueu-se à Tristeza um monumento,
aboliu-se a Ternura e o Afecto.


O Poeta, acusado de loucura,
na solidão mais densa se escondia
refém de si mesmo e da amargura
que a Verdade nos outros produzia.

Apareceu então à luz do dia
com o rosto tingido de ternura.
Dois tiros acertaram no seu peito
matando a loucura em pleno dia.
Mais tarde descobriu-se o que foi feito:
Morreram o Poeta... e a Poesia!


FERNANDO PEIXOTO
Vila Nova de Gaia - PORTUGAL

quinta-feira, 9 de junho de 2005

Agradecimento

Quero deixar aqui expresso a minha gratidão à minha "madrinha" Lique que em duas penadas resolveu-me problemas que já duravam há dias...
Já estava a dar em doido!
Obrigado Alice.
Que tenhas um bom fim de semana (que vai ser enorme para vós)!

terça-feira, 7 de junho de 2005

Lembrando Ary dos Santos...

Soneto do Trabalho

Das prensas dos martelos das bigornas
das foices dos arados das charruas
das alfaias dos cascos e das dornas
é que nasce a canção que anda nas ruas.

Um povo não é livre em águas mornas
não se abre a liberdade com gazuas
à força do teu braço é que transformas
as fábricas e as terras que são tuas.

Abre os olhos e vê. Sê vigilante
a reacção não passará diante
do teu punho fechado contra o medo.

Levanta-te meu Povo. Não é tarde.
Agora é que o mar canta é que o sol arde
pois quando o povo acorda é sempre cedo.

José Carlos Ary dos Santos

Nestes tempos conturbados, em que - de novo! - os mesmos fantasmas do passado se aventuram a pôr as garras de fora, sabe bem recordar Ary dos Santos, a sua militância e a sua confiança no Futuro.
Este poema é a minha homenagem a milhares de trabalhadores que estão no desemprego ou que vêem os seus postos de trabalho desaparecerem de um dia para o outro...

É necessário, é urgente, que o Povo acorde de uma vez por todas!

José Gomes

domingo, 5 de junho de 2005