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11 Maio 2012

La lampara marina

Álvaro Cunhal - Desenhos da Prisão


(Poema de Pablo Neruda em homenagem a Álvaro Cunhal e outros companheiros de cárcere)




LA LÁMPARA MARINA

PORTUGAL,
vuelve al mar, a tus navíos, 
Portugal, vuelve al hombre, al marinero,
vuelve a la tierra tuya, a tu fragancia,
a tu razón libre en el viento,
de nuevo
a la luz matutina
del clavel y la espuma.
Muéstranos tu tesoro,
tus hombres, tus mujeres.
No escondas más tu rostro
de embarcación valiente
puesta en las avanzadas del Océano.
Portugal, navegante,
descubridor de islas,
inventor de pimientas,
descubre el nuevo hombre,
as islas asombradas,
descubre el archipiélago en el tiempo.
La súbita
aparición
del pan
sobre la mesa, 
la aurora,
tú, descúbrela, 
descubridor de auroras.

Cómo es esto?

Cómo puedes negarte
al cielo de la luz tú, que mostraste
caminos a los ciegos?

Tú, dulce y férreo y viejo,
angosto y ancho padre
del horizonte, cómo
puedes cerrar la puerta
a los nuevos racimos
y al viento con estrellas del Oriente?

Proa de Europa, busca
en la corriente
las olas ancestrales,
la marítima barba
de Camoens.
Rompe
las telarañas
que cubren tu fragante arboladura,
y entonces
a nosostros os hijos de tus hijos,
aquellos para quienes
descubriste la arena
hasta entonces oscura
de la geografía deslumbrante,
muéstra-nos que tú puedes
atravesar de nuevo
el nuevo mar escuro
y descubrir al hombre que ha nacido
en las islas más grandes de la tierra.
Navega, Portugal, la hora
llegó, levanta
tu estatura de proa
y entre las islas y los hombres vuelve
a ser camino.
En esta edad agrega
tu luz, vuelve a ser lámpara:

aprenderás de nuevo a ser estrella.


Pablo Neruda, Las uvas y el viento, 1954


Para que a Memória nunca esqueça...

07 Maio 2012

Maio Maduro Maio / Deram-nos uma Punhalada

Recordar é Viver
Nesta noite dou comigo a relembrar tempos em que Sonhar era caminhar para o Futuro. Foi assim em Abril e acreditar que Maio era mais um passo para a Mudança... por isso dei comigo a ver esta fotografia feita no calor de um Sonho, a recordar os Sonhos que nesses meses se tentaram concretizar.


Sem palavras, deixo-vos estes dois poemas da Helena Guimarães. Um que nos fala do Maio, das flores, da esperança, da liberdade, dos cravos, das armas, duma revolução que foi sonhada:





MAIO MADURO MAIO


Maio, mês das flores
da esperança, dos amores,
Maio do meu País,
que viveu alegre e incauto
a pensar que a liberdade
tinha sido conquistada,
com cravos e armas caladas.
Direito ao trabalho e ao pão.
Não se faz assim uma Revolução!
Deixaram crescer no ventre
com bonomia crescente
o polvo que nos matou.
Humilhados os herois
que nos consideraram gente
somos escravos do mundo
e de uma seita maldita
que, hoje, nos desacredita,
insensível, nos espolia,
com máscara de honradez.
Num estouvado messianismo
sacrificamos os jovens
como no sebastianismo
o fizemos em Fez.
Maio do meu País
com o céu a chorar por nós.
Maio com o Povo a passar fome.
Não há maduros trigais
nem cravos a florir.
E não há já ideais.
Preferimos as promoções
a lutar contra os ladrões.
Maio da desesperança
do medo e da contradança.
Um País em contramão
à espera de solução!

Helena Guimarães - 5 de Maio 2012



O outro poema, Deram-nos uma Punhalada, é o retrato do país, do momento, de um povo reprimido, manso, ignorante, sujeito a voracidade do capitalismo global:


DERAM-NOS UMA PUNHALADA

Deram-nos uma punhalada
e por essa ferida se esvai
o sangue de um País.
Vão-se os filhos para fora
dar o poder do seu braço,
do cérebro e do abraço
a povos que nem conhecem:
vai-se a família, desfeita,
sem tempo, em ansiedade;
choram as crianças á míngua
do pão a que têm direito
do colo, da afeição,
direitos de um cidadão
na sua pátria raiz;
Vai-se a nossa matriz
de portugueses inteiros
da História outrora primeiros;
Vão-se as nossas empresas
vendidas a um tostão
num espoliar sem sentido
e o povo reprimido
manso e ignorante
luta com as reservas
o seu regresso às trevas,
abrindo os bolsos rotos
à ganância e aos arrotos
dum capitalismo global.
Deram-nos uma punhalada
e por essa ferida se esvai
o sangue de um País!

Helena Guimarães – 5 de Maio 2012


Obrigado, Helena, por estes teus poemas.

Um abraço,
José Gomes

04 Maio 2012

A Poesia em 5 de maio 2012...


A pedido do Movimentum - Arte e Cultura lembro que amanhã, dia 5 de Maio de 2012, haverá duas actividades para as quais peço a divulgação e se, possível, a vossa participação:

1 - Pelas 15,30 horas, na Casa de Cultura de Paranhos, no Porto: Sessão de Poesia que terá como tema "A Poesia de Fernando Peixoto".
Apareçam!

2 - Ás 21,30 horas, no Salão Nobre da Junta de Freguesia de Vermoim, "Noites de Poesia em Vermoim", com o tema MAIO MADURO MAIO.
Apareçam!

Um abraço,
José Gomes


24 Abril 2012

25 de Abril de 1974 - uma data a não esquecer

                  Composição e texto de Sónia Coelho Gomes


22 Abril 2012

Comunicado à Imprensa - “Ciclo de Conferências-Debate sobre Timor-Leste”.


Comunicado à Imprensa


Ciclo de Conferências-Debate sobre Timor Leste


O Grupo TIMOR LOROSAE – DIÁSPORA PORTO e Dr. Alberto Araújo, coordenador da COCC TD2012 - Comissão Organizadora de Conferências Timor na Diáspora 2012, convidam os Meios de Comunicação Social para fazerem a cobertura da conferência-debate subordinadas aos temas:

11,00 – 12,30 horas
TIMOR-LESTE – RAZÕES DO SUCESSO E OS RISCOS DO INSUCESSO (oradores Prof. Dr. António Barbedo de Magalhães e Dr. Paulo Teixeira de Morais);
14,30 – 16,30 horas
REFLEXÃO ESTRATÉGICA SOBRE TIMOR-LESTE VISTO DE DENTRO E DE FORA 10 ANOS DEPOIS” (oradores Sr. António Simões Marques Couto - cônsul honorário de Timor Leste e Dr. Alberto Araújo, coordenador do Projecto).

Haverá, ainda, Comunicações de alguns estudantes Timorenses que se encontram a estudar em Universidades Portuguesas.

Esta conferência-debate terá lugar no dia 28 de Abril, sábado, a partir das 11 horas, na Universidade Lusófona do Porto, sita na Rua Augusto Rosa, nº 24 (à Praça da Batalha), Porto.

Esta iniciativa tem a Colaboração de:
Timor Diáspora, Associação Tane Timor, Universidade Lusófona do Porto e Kiquezas {Imagem Digital}.

(Convite)

(Poster)

Agradecemos o vosso empenho na divulgação deste “Ciclo de Conferências-Debate sobre Timor-Leste”.

Cumprimentos,
Pela Equipa de Coordenação
José Gomes
*******

A Equipa de Coordenação:
João Costa Lima Barros - pedro.a.barros@sapo.pt
Daniel Braga - daniel.danibra@gmail.com
Alexandre Pinto – kaenalo@hotmail.com
Gui Martins - gui.brites@hotmail.com
José Gomes - zegomes@kiquezas.net

19 Abril 2012

António Aleixo, sempre actual

Estátua de António Aleixo em Loulé


António Aleixo é considerado um dos poetas populares de maior relevo, famoso pela sua ironia e pela crítica social sempre presente nos seus versos.
António Aleixo é recordado por ter sido simples, humilde e, apesar de semi analfabeto, ternos deixado como legado uma obra poética singular no panorama literário português da primeira metade do século XX.
(in Wikiédia)


Com os meus agradecimentos ao Gaspar pelo email enviado, deixo-vos com estas cinco quadras do poeta Aleixo, sempre actuais:


Acho uma moral ruim
trazer o vulgo enganado: 
mandarem fazer assim 
e eles fazerem assado. 


Sou um dos membros malditos 
dessa falsa sociedade que, 
baseada nos mitos, 
pode roubar à vontade. 


Esses por quem não te interessas 
produzem quanto consomes: 
vivem das tuas promessas 
ganhando o pão que tu comes. 


Não me dêem mais desgostos 
porque sei raciocinar... 
Só os burros estão dispostos 
a sofrer sem protestar! 


Esta mascarada enorme 
com que o mundo nos aldraba, 
dura enquanto o povo dorme, 
quando ele acordar, acaba. 


António Aleixo